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Advogado de Delúbio diz que mensalão foi união pelo bem do Brasil. Ele pode ocupar o STF

Vocês já viram aqui que o advogado de Delúbio Soares no processo do mensalão poderá ocupar uma das duas vagas que serão abertas no Supremo Tribunal Federal até o fim do ano.

Mas seu próprio cargo atual anda lhe exigindo que ultrapasse as raias do non sense. Segundo Arnaldo Malheiros Filho, não pode ser considerado crime de formação de quadrilha a união de pessoas – José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino – para melhorar o país.

Os curiosos lances da defesa do mensalão (com duplo sentido), que você pode acompanhar aqui no Implicante™ (o melhor e mais bonito portal sobre o escândalo), partem da pressuposição correta de que não é preciso ter uma coerência geral com todos os fatos unidos, mas apensa frases feitas e bordões particulares para cada caso menor que venha a público e ganhe as manchetes.

É o que faz agora o criminalista Arnaldo Malheiros Filho, que trata o esquema de propinas como um “projeto” (como se um projeto político, ainda mais com desvio de dinheiro público, fosse um bem em si), esquecendo dos saques coincidentes com as trocas de partidos, as dívidas de campanha, as contas nas Bahamas e todo o restante de um esquema tão complexo que parece confundir simplesmente todo mundo – até hoje é difícil encontrar alguém, mesmo entre os politizados e antenados de plantão, que saiba explicar direito o que foi o mensalão. Basta apenas esquecer todas as complexidades e replicar apenas a um “projeto” – como puxar parlamentares para o seu lado e ainda dar uns trocos pelo bom gesto. Como informa o Ucho.Info:

Para provar a existência do Mensalão do PT tomemos por base o “companheiro” Silvio  Pereira, que fez um acordo com a Procuradoria da República para não mais ser  investigado, em troca da prestação de 750 de serviços comunitários durante três anos. Ora, e não há quem faça um acordo dessa natureza sem ser culpado. Como Silvio Pereira, o Silvinho Land Rover, não tem qualquer vocação para Madre Teresa de Calcutá, o mensalão existiu, sim. (…)

A segunda opção de modelo de corrupção, apresentada nos primórdios do governo Lula, é que entrou em vigor logo após o escândalo do Mensalão do PT e continua valendo. A  da entrega de ministérios e autarquias aos partidos aliados, os quais assumem o ônus de escândalos, que não têm sido tão eventuais.

Como já não bastasse Dias Toffoli, ex-advogado do PT, assessor parlamentar petista, ex-funcionário de Dirceu e namorado da advogada de um dos réus do mensalão, não se considerar impedido de julgar os mensaleiros, por conseguir fazer tudo com uma “independência” que deve manter guardada na terceira gaveta do seu gabinete, agora  temos o risco de ter um advogado de mensaleiros no STF – um homem que acredita que o mensalão foi um gesto republicado de homens desinteressados sendo martirizados em nome do bem geral da nação. É o típico paradoxo de quem prega uma estrita separação de poderes, mas quer um Estado enorme, onde todo mundo conheça todo mundo, e onde carisma e conchavo sejam moeda de troca para fazer pressão no poder estatal alheio.

Podem dormir tranqüilos, estamos bem e nosso futuro glorioso está garantido.

 Advogado de Delúbio diz que mensalão foi união pelo bem do Brasil. Ele pode ocupar o STF   dias toffoli

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