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Dirceu solta rojões. Hora de FINALMENTE entender o que foi o mensalão

A corrupção foi apenas a ponta do iceberg do mensalão. É preciso entender que se comprou votos para se concentrar poder. O que só ditaduras fazem.

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Encerrou-se hoje uma das últimas rodadas de votação no Supremo do maior escândalo de corrupção da história, o mensalão. O placar a favor dos mensaleiros é acachapante: 4 x 2, a essa altura uma goleada.

Ficaram a favor dos mensaleiros Barroso, Teori, Rosa Weber e Toffoli. Contra, Joaquim Barbosa e Luiz Fux.

Dado quem falta votar, as chances de nenhum mensaleiro ver o sol nascer quadrado chegam bem perto de 90%. Afinal, uma das maiores façanhas do PT, nunca antes na história desse país, foi conseguir transformar o STF, a maior corte do país, não em um tribunal, mas em um escritório de advocacia pro domo sua.

Alguém está surpreso, se 8 dos 11 ministros foram indicados pelo PT – e, claro, indicados APENAS POR SEREM BONS JUÍZES IMPARCIAIS, nada a ver com aparelhamento estatal? Basta pensar que em 3 anos, haverá provavelmente apenas um juiz na mais alta corte do país que não terá sido indicado pelo PT, que já indicou 12 juízes – definitivamente os piores juízes que o STF já teve. Já avisamos antes que a não-interferência de um poder no outro, com a hegemonia petista, estaria minada por definição, naturalmente, com tantas indicações de juízes.

Mas talvez agora, com o horror se aproximando, talvez seja a hora de FINALMENTE ambos os lados entenderem de uma vez por todas: o problema do mensalão NÃO FOI CORRUPÇÃO. Dane-se o dinheiro desviado. O maior escândalo de corrupção da história do país é troco de pinga perto do que cada petista já ganha até legalmente sem o merecer no Congresso. Aliás, a corrupção inteira de um país extremamente corrupto é troco de pinga perto do que se torra à toa num país estatólatra (os corruptos juntos não valem uma estrada hiperfaturada).

O problema do mensalão foi CONCENTRAÇÃO DE PODER através de compra de votos. Poderia ser com o dinheiro debaixo do colchão do Dirceu, poderia ser com doação de eleitores apaixonados, poderia ser com um cafézinho. Ainda assim seria pior do que lavar de dinheiro roubado dos Correios, Banco de Minas ou o raio que for.

O mensalão foi DITATORIAL, um projeto de poder (portanto, algo que vai além dos mensaleiros, afetando todo o partido, sobretudo seus chefes) em que o Poder Executivo, aquele lá, aquele cheio de charme e carisma que ganha eleição atrás de eleição (e todos sabemos que o risco de assim continuar é altissonante), governa sozinho, sem precisar de Legislativo para votar suas leis.

Se todo o Legislativo é comprado, não há oposição. É isso que a militância petista não entende, ao dizer que os indicados pelo mensalão, afinal, não são petistas. Óbvio: petistas já votam conforme os chefes do partido mandam, apenas fazem número no Senado para aprovar medidas, mas “pensam” em rebanho, roboticamente. Obedecem, ao invés de formar um grupo de indivíduos auto-pensantes. O que o PT quis foi comprar não exatamente a base aliada (já propensa a votar conforme o Executivo central), e sim o meião, aqueles políticos de identidade ideológica gelatinosa (ou nula), que só estão na política pelo prazer.

Se o Congresso é composto de “300 picaretas com anel de doutor”, o mensalão não é um desvio do jeito petista de agir, e sim sua conseqüência mais inescapável: para governar com picaretas, basta comprá-los.

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A militância fez vista grossa, considerou um mal menor, ou mesmo “intelectuais” como Marilena Chaui saíram em defesa do malufismo. Com o tempo, se acostumou. A oposição não valia nada, mesmo. Nada mais natural do que fosse comprada para votar como manda o partido.

Curiosamente, o Poder Judiciário não seria afetado a priori pelo mensalão. A compra foi só do Legislativo, fazendo com que as atribuições desse poder deixassem de existir. Tudo então seria dominado apenas pelo Executivo e suas intermináveis Medidas Provisórias de caráter cada vez mais eterno (até as, ASPAS, contribuições, FECHA ASPAS, ABRE ASPAS DE NOVO, provisórias, FECHA ASPAS, criariam impostos permanentes), tendo como contra-peso apenas o Poder Judiciário, no caso de lambança.

Por coincidência ou não, o mensalão veio à tona tão logo os juízes mais antigos do STF começaram a se aposentar, dando no colo do PT a chance de interferir também nesse poder. O resultado hoje se vê: 8 juízes (logo poderão ser 10) que, tal como no próprio mensalão, votam sempre igualzinho o PT. Pura coincidência, claro.

A despeito do que usualmente se pensa, Joaquim Barbosa foi indicado por Lula por ter conhecido Frei Betto em um aeroporto e causado uma boa impressão. Lula e Betto mal conheciam esse juiz, mas talvez por uma visão um tanto anacrônica, pensaram que um negro petista fosse obediente e dar a patinha quando necessário. A militância petista usou e vezou até do racismo para criticá-lo, posteriormente. Foi o único erro de Lula e dos petistas, sobretudo dos mensaleiros, nesses anos todos, em matéria de aparelhamento: Joaquim Barbosa continua um progressista afiado, um petista da velha guarda, mas não aceitou ser menino de recados no caso do mensalão (escândalo tão óbvio que nem Toffoli e Lewandowski, os dois de sempre, votaram por liberar geral, como a militância petista faz).

Vieram outras indicações bizarras, como de Ricardo Lewandowski, Eros Grau (já aposentado, autor do famoso livro erótico sobre “sonoras flatulências vaginais”, bem melhor do que sua atuação no STF) ou Rosa Weber.

Esta última merece uma pausa. Para se ver como é o modus operandi ditatorial petista, quando de sua sabatina no Congresso, (que em países sérios testa conhecimentos profundos de maneira rigorosa), ouviu como primeiro comentário dos congressistas um inacreditável pedido de palavra de Romero Jucá (PMDB-RR): já que Rosa Weber fora indicada por Dilma Rousseff, aquele bastião de sabedoria, não seria preciso sabatiná-la, poderiam todos os congressistas apenas acatar sem fazer nenhuma pergunta e dar nenhum pio sobre a sua indicação, “solicitando à Casa que dê seu voto por unanimidade”. Mesmo fora do mensalão, o esquema petista e de sua base aliada é apenas aceitar o Poder Executivo e ficar quieto.

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Rosa Weber era juíza do Trabalho, uma seara que pouco tem a ver com as discussões constitucionais do Supremo Tribunal Federal. O senador Pedro Taques fez questionamentos não muito difíceis a Rosa Weber (em verdade, alguns bem simples, que antes de se concluir uma faculdade de Direito alguém já tem a capacidade de responder).

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Rosa Weber, em resposta, fugiu completamente de praticamente todas as perguntas, gaguejou, não soube nem do que Pedro Taques falava em muitas vezes.

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Sua atuação mereceu até uma hilária paródia do programa Comédia MTV:

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Mesmo assim, foi aceita por 19 votos contra 3. Sempre o PT indica, sempre todos abaixam a cabeça, não importa quão bizarra, viciada, anti-ética, partidarizada, não-meritocrática e não-técnica seja essa indicação.

Os checks and balances da democracia, que não permitem que nenhum poder seja integral e direto, sem contrapartida de outro poder e de uma oposição (que o PT sempre soube fazer bem), foram então destruídos pelo PT quando conseguiu a chefia do Poder Executivo. Sua escola política e o movimento vermelho de que faz parte já tinha por meio demolir a oposição assim que deixasse de ser oposição. Seu “passado” socialista fala por si.

Assim continuaram indicações, que culminam com Teorio Zavascki e Luís Roberto Barroso, considerado o maior constitucionalista do país, mas um ativista judicial feroz (ou seja, conhece muito a Constituição, para saber como não precisar segui-la). Tal já se deu em sua primeira ação como juiz, durante outra tentativa petista de praticar sua ditadura vermelha. Dilma Rousseff, em resposta aos protestos de rua que varreram o país em junho de 2013, propôs uma “Assembléia Constituinte exclusiva” para uma reforma política (por que a conversa sempre soa tão familiar, quando se trata do movimento vermelho?). Barroso, que já havia declarado anteriormente que uma tal Constituinte era inconstitucional, assim que foi indicado pela presidente, já voltou atrás e disse que não é bem assim, se a presidente assim quiser. Importa muito mais o que Dilma diz do que o que está na Constituição, afinal.

Ou seja, o mensalão é uma parte de um projeto total de poder único, não dividido, não democrático, completamente ditatorial. Um AI-5 petista em que ou se vota com o Partido Vermelho, ou se é comprado, ou se é desmoralizado por uma imprensa igualmente comprada e financiada (mesmo por meios “legais”, como a infinita propaganda da Caixa e da Petrobras, como se essas empresas precisassem fazer propaganda).

É um erro dos não-petistas tratar os mensaleiros como ladrões, e não como proto-ditadores. E é por isso que a militância petista ignora essa concentração de poder (na verdade, a adora), e tenta chamar qualquer escândalo de corrupção, ou mesmo investigação, de “mensalão tucano” ou  bazófias do gênero. Assim como chama tudo de “fascista”, sobretudo o que vai radicalmente contra o poderio estatal concentrado do fascismo, com seu eterno culto ao líder.

Para piorar, agora o mensalão foi julgado por juízes indicados pelo PT, que só se manteve no poder… através do próprio mensalão. O movimento é circular. A autonomia de poderes do país não apenas foi ameaçada pelo mensalão, e sim foi vencida, tornando o poder circular, mas cujo centro sempre é o Poder Executivo central do PT.

E estes juízes não parecem estar muito dispostos a demonstrar alguma tentativa de imparcialidade, se até namorado de advogada do réu e ex-advogado de Dirceu que nunca conseguiu passar em um concurso para juiz foi parar no STF, sem se considerar impedido de julgar o caso (alguém, afinal, sabe explicar por que Dias Toffoli deve estar no STF?!).

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É isso, ou apenas acreditar que por mera coincidência juízes técnicos, imparciais e que não obedecem o PT a todo custo votaram todos em peso pela absolvição geral e revisão do caso, depois de fazer a população acreditar que o STF petista era um bastião de moralidade em meio à esbórnia que na qual o PT chafurdou o resto do país. Assim, uma confluência, pura coincidência mesmo. Como os dois de sempre também sempre votaram a favor dos mensaleiros por mera coincidência técnica durante os primeiros julgamentos.

Tratar o mensalão como corrupção é um erro. É ver a ponta do iceberg. É como culpar a capa de um livro sem o seu conteúdo. Quem pode responder se a concentração de poder total nas mãos do PT deu certo ou não e se alguma instituição brasileira ainda está a salvo da oclocracia tecnocrata petista é, afinal, um dos réus do próprio mensalão, julgado por juízes indicados por seu partido, que se manteve no poder para indicá-los graças ao próprio mensalão:

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