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Pro R7, “Wikileaks aponta Wiliam Waack como informante dos EUA”. Fonte: blog progressista

A informante conspiratória da Implicante™ Golpist Media International Inc. Núbia Tavares descobriu essa pra nós. Isso vai exigir 2 rounds de raciocínio lógico, mas cremos que nossos leitores não irão cair no choro por tal esforço envidado. Vamos lá, Tico e Teco dêem as mãos e força na peruca!

O portal de notícias R7, da Rede Record, noticiouWikileaks aponta Wiliam Waack como informante do governo dos EUA. Nada de mal em uma notícia contra um dos principais jornalistas da Globo partindo do portal de notícias da Record. Aí vem o subtítulo: Blog Brasil que Vai cita documentos sigilosos divulgado pelo site de Julian Assange. A fonte da notícia é um BLOG. Para piorar, um daquela espécie que mais se reproduz se bem alimentada com dinheiro público: o Blogis progressistae. Aspas:

De acordo com o texto, Waack foi indicado por membros do governo dos EUA para “sustentar posições na mídia brasileira afinadas com as grandes linhas da política externa americana”.

– Por essa razão é que se sentiu à vontade (sic) de protagonizar insólitos episódios na programação que conduz, nos quais não faltaram sequer palavrões dirigidos a autoridades do governo brasileiro.

Há uma referência aqui a um vídeo que rodou a internet, com uma nítida falha no estúdio, em que William Waack solta um “manda calar a boca” enquanto uma imagem de Dilma, titubeante, tenta se justificar perante mais uma das quebras de sigilo fiscal que nortearam sua campanha eleitoral. Não há prova alguma de que o “manda calar a boca” tenha sido direcionado à Dilma, que, aliás, mal começara a aparecer no vídeo (se fosse algo a respeito do vídeo, e no tom de resposta que tem sua voz, soaria mais como uma resposta tardia a José Serra, que aparecera pouco antes).

Quem acredita nessa galhofice (como blogueiros do quilate de Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif, que divulgaram vídeos criticando William Waack até a alma, e o mandando, justamente, calar a boca) não parece conhecer uma rotina de telejornal, em que pautas são dadas enquanto as reportagens aparecem no ar. Os âncoras e apresentadores dificilmente prestam atenção no vídeo que chega aos telespectadores, e via de regra só ficam com o som, e não com as imagens.

Por sinal, o que Dilma afirmava era: “É uma… acusação sistemática que ele [José Serra] tem feito. E que somente prova o desespero. Essa é novamente requentada.” Quem estava querendo calar quem? Há também um erro aí: diz o texto que “não faltaram sequer palavrões dirigidos a autoridades do governo brasileiro”. Ainda que fosse o caso, Dilma não era uma autoridade do governo brasileiro (mas que título pomposo! não poderia ser só “ex-ministro petista que sobreviveu à dança da cadeira”?). E não há nenhum palavrão na expressão “manda calar a boca”. Confundiu-se o beócio com outro vídeo em que William Waack chama a repórter Zelda Mello de “Zelda Merda”.

Dirigir um palavrão a uma autoridade do governo brasileiro é crime de injúria qualificada, tipificada no art. 140, § 3º, do Código Penal. Não é grandes merda: dirigir um palavrão a qualquer funcionário público que não seja autoridade do governo brasileiro também é injúria qualificada, como xingar a progenitora, se ela tiver mais de 60 anos. E quero saber quem nunca fez isso. Por outro lado, atribuir um crime a alguém se este alguém não cometeu crime é calúnia, tipificada no art. 138 do mesmo CP, o que é crime com maior pena. Resultado: o R7 está cometendo um crime que só jornalistazinho de quinta categoria é capaz de cometer.

E o texto prossegue com mais clichês:

O post informa que a política externa brasileira tem “novas orientações” que “não mais se coadunam nem com os interesses americanos, que se preocupam com o cosmopolitismo nacional, nem com os do Estado de Israel, influente no ‘stablishment’ norte- americano”. Por isso, o Departamento de Estado dos EUA “buscou fincar estacas nos meios de comunicação especializados em política internacional do Brasil” – no que seria um caso de “infiltração da CIA [a agência norte-americana de inteligência] nas instituições do país”.

Seria curioso se perguntar no que diabos a política externa brasileira vai tão de encontro aos interesses americanos a ponto de eles se preocuparem com William Waack (quem?). O quanto o “cosmopolitismo nacional” (com o perdão do oxímoro) do sertão agrário e do Pantanal faz concorrência com Las Vegas. E no quanto o Estado de Israel dita os rumos da política americana. Só faltou um comentariozinho sobre o sionismo e a indústria armamentista.

Cadê a fonte?

Mas o tal post do tal blog citado nem aparece linkado, ou sequer com seu nome. O blog consegue se esquivar de ser encontrável no Google. Nossa espiã, que põe Jason Bourne no bolso, o encontrou. Segue um apanhado:

“O Wikileaks (…) compôs até agora o novo cenário de insurgência da cidadania mundial contra a manipulação secular de governos e da grande mídia internacional”

“Ao mesmo tempo em que espocaram rojões na Casa Branca tilintaram [falta vírgula] taças no gabinete dos irmãos Marinhos [sic], agastados com documentos sigilosos trazidos a público pelo site há pouco menos de 2 meses atrás [redundância]”

“O jornalista, que conduz um dos mais direitistas telejornais da TV brasileira, o Jornal da Globo” (HUEAhuAEhuAEuhAE!)

“ex-embaixadores octogenários que possuem em comum o mais evidente ranço contra a política externa que vem sendo implementada com sucesso pelo Itamaraty faz quase 10 anos.”

a fim de intentar um novo alinhamento político com vistas a relacionar-se com o governo federal para poder…” (dava pra ter só um “era pra…”?)

E pra coroar o bolo cerejosamente:

Agora é preciso que o governo brasileiro aja e defenda os interesses do país contra ações de espionagem e de manipulação de programas jornalísticos que em razão de abordagens unilaterais procuram desmoralizar políticas legitimamente validadas pelo voto do eleitor brasileiro.

Isso tudo em apenas 9 parágrafos, quase sem nenhum ponto final entre uma oração e outra. Dá pra entender ao menos por que o R7 ficou com vergonha de citar a fonte.

Enquanto isso, vamos lá ler o que o próprio Wikileaks tem a dizer sobre William Waack e suas perigosíssimas influências espiãs e conspiracionistas junto ao governo dos EUA – que estranhamente mudou de lado há uns 3 anos, mas a expressão “os EUA” causa calafrios sozinha (as informações também são via nossa espiã):

Journalist William Waack described to CG Sao Paulo a recent business forum in which Serra, Rousseff, Neves and Gomes all participated. According to Waack, Gomes was the strongest overall, Neves the most charismatic, Serra detached but clearly competent, and Rousseff the least coherent.

Journalist William Waack stated at a lunch with the CG on September 4 that Serra and Neves had already sealed the deal, agreeing to run together with Serra at the top of the ticket. A second participant at the event, Fernando Henrique Cardoso (FHC) Institute Director Sergio Fausto expressed surprise at Waack’s assertion, but added that FHC would not permit the Serra-Neves rivalry to split the party.

Para mais, digitem por “William Waack” no CableSearch e leiam os 3 documentos que citam William Waack e suas perigosíssimas… impressões sobre os candidatos à presidência em 2010.

Jornalismo diz que me diz

Algumas coisas ficam no ar, para manter o clima de mistério, espionagem e homens de preto, com poucos amigos e caras de mau. A primeira delas é: por que essa notícia é condenada à eternidade justamente enquanto o Wikileaks está fora do ar, pedindo dinheiro a seus leitores esquerdistas endinheirados? Não há nada de estranho nisso? Nunca houve nada de estranho no Wikileaks “revelar segredos” de países democráticos, sendo 95% fofoca da revista Contigo, e nunca dar um pio sobre nenhuma ditadura? Aliás, se qualquer “mídia direitista” ameaçasse fechar as portas pedindo mais dinheiro, seria ridicularizada a ponto de nunca mais ver a luz do dia.

A outra pergunta é: por que a R7 não foi direto ao Wikileaks passar a notícia? Por que um blogueiro obscuro vira “fonte”?

Mas, sobretudo, por que um jornalista conversar com um embaixador e expor suas opiniões sobre o governo num jantar o torna “informante regular do governo americano” e “suspeita de um caso de infiltração da CIA nas instituições do país”? (e a Globo lá é instituição do país?) Só porque vai num jantar, dá suas impressões sobre o governo do país (tá meio merda) e já vira agente da CIA? Nem mandou um currículo nem nada? Por acaso algum embaixador que leia o Implicante™ (ou qualquer jornal investigativo digno desse nome) não vai chegar à mesma conclusão, e nem por isso iremos nos tornar “informantes regulares do governo americano”, sem ganhar essa pompa e provavelmente as bocas-livres que devem rolar com esse título?

A Record praticou o jornalismo “estou dizendo que um blog anônimo disse que um site disse que…”. Isso não é bem uma prova com certidão em cartório de vergonha na cara. Ou de, digamos, pauta minimamente interessante. Nota-se é que algum jornalista na Record queria causar polêmica, mas é um menino muito júnior pra essas coisas (se quiser, dou umas aulinhas a preços médios).

Curiosamente, a tal “blogosfera progressista”, quando critica a “mídia” (o correto é “imprensa”), não tem medo de ir contra a Record. Pra eles, todo mundo é neoliberal, estudou os Protocolos de Washington (se sabem o que é isso) e fazem parte de um partido único da mídia (o tal PiG) que quer passar os mesmos valores a todos, enquanto só eles pensam com a própria caçuleta. Mas quando se trata de falar mal “da Globo”, como se alguém lá dentro soubesse o que é liberalismo e torcesse pela Sarah Palin (e como se Obama fizesse parte de tudo isso), aí a esquerda se alia até à Igreja Universal.

Enquanto isso, também rola um burbúrio por aí (não é afirmação nossa e nem da nossa espiã, apenas existe o burbúrio e nós noticiamos) de que a Record andou pagando estagiários para falar bem do Pan nas redes sociais. Vale como cortina de fumaça? O tiro, no mínimo, saiu pela culatra: William Waack, agora, é, sozinho, o yankee que impediu a revolução comunista no Brasil.

 

Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. Está com o contra-cheque da CIA atrasado. Alguém por favor avise o Assange. No Twitter, @flaviomorgen

Núbia Tavares é jornalista, analista mídia e espiã da CIA. É financiada pelo FBI, pelo Pentágono, pela Fox News, pelos sionistas e pelos Arquivos X. É treinada em 5 técnicas de combate armado e desarmado e sabe andar no teto sem fazer barulho. No Twitter, @meninanubia

 

 

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