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O SUS não estava “à beira da perfeição”?

A militância hoje defende a vinda de médicos cubanos, mas há poucos anos também defendeu que a saúde estava perfeita. E que precisava da CPMF.

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Lula, O Homem, O Infalível, o que “sem um dedo, fez mais do que Bill Gates e Steve Jobs”, precisava desesperadamente da CPMF, o imposto para dar uma mexida na sua conta num caixa eletrônico, sempre retendo um pouco para os seus (dele) cupinchas a cada vez que você sacava 10 reais no banco.

As classes mais altas não mexem tanto no banco, ou, se mexem, arrolam somas altíssimas de uma vez só. Não viram os assessores da deputada Janira Rocha, do PSOL, negociando R$ 1,5 milhão num dossiê contra ela própria de uma vez só? Nós, comuns mortais que não temos salário de deputado socialista, pagaríamos CPMF bem mais de 10 mil vezes por algumas décadas, enquanto os assessores psolentos teriam pago uma vez só, se a CPMF tivesse mesmo continuado a existir.

Nós, pagaríamos alguns milhares de reais. Os socialistas ricos do PSOL, alguns centavos. Isto é a economia “social”.

Lula, para conseguir seu imposto, sacou as palavras que seriam ecoadas obedientemente por toda a militância organizada do PT por anos: a CPMF era do bem. A CPMF era insonegável, pois era retida na fonte. Só com a CPMF daria para ele fazer algo pela saúde. As palavras de Lula, O Arauto, foram rigorosamente decoradas e repetidas roboticamente por todo defensor do PT por anos.

lula susMas Lula já estava chegando próximo da reeleição. Seu discurso, então, não poderia falar de CPMF o tempo todo. Nem afirmar o óbvio: que sua gestão fez tão pouco pela saúde que é difícil se lembrar do nome dos seus ministros da Saúde. Sem dar nenhuma justificativa e ignorando a contradição com o que vinha antes, ao mesmo tempo Lula celebrava que a saúde era outra área em que sua gestão tinha feito tudo o que nunca se fez antes.

Augusto Nunes lembrou na VEJA: em 9 de abril de 2006, Lula inaugurava em Porto Alegre as novas instalações do setor de emergência do Hospital Nossa Senhora da Conceição. Com seu estilo messiânico e de péssimo gosto com a miséria do povo de sempre, O Iluminado Lula soltou: ”Eu acho que não está longe da gente atingir a perfeição no tratamento de saúde neste país”, gabou-se.

A mentalidade petista não vê problema algum em funcionar com essas contradições. Se está bom (ou se só parece estar bom), é tudo obra do PT. Se está ruim, ora, precisamos do PT por mais alguns anos para consertar. É a mesma lógica circular de ver “protestos” contra um aumento da tarifa de ônibus perpetrado pelo petista Fernando Haddad, e ver o presidente do PT, Rui Falcão, apoiando os mesmos protestos, como se não tivesse o telefone do Haddad na agenda para ligar e mandar o jovem abaixar essa coisa absurda aí. Se abaixar, eu ganho. Se não abaixar, eu ganho, porque reclamei e não fui ouvido.

Poucos anos depois, o discurso da CPMF simplesmente desapareceu da boca de Lula, Dilma ou de seus militantes. Não notaram contradição nenhuma. Da mesma forma que usam do discurso “se der cara, eu ganho, se der coroa, você perde”, também se poderia perguntar com rigor científico: se a saúde está tão boa, onde está o pedido de desculpas á população brasileira por tentar tomar mais do suor de seu trabalho através de outro imposto, sem deixar que fiquem com os frutos do que produziram? Por que o Estado Petista teria de tomar tudo para Si?

Mesmo essa lógica totalitária, que abarca até os pontos extremamente opostos do discurso, não se deixa de falsear a realidade, assim, por esporte. Lula, por exemplo, dizia que o SUS era tão bom, mas TÃO bom, que ousa dar um pito no Obamacare. Segundo Ele, a América deveria fazer um SUS, já que nenhum governante no mundo teria a antevisão prometéica do Grande Sindicalista. Ao afirmar que Obama deveria criar o SUS, para mostrar como é O Melhor, Lula diagnostica que na América “tem 50 milhões de pobres que não têm direito à NADA”. Um “pobre” americano deve ser algo bem próximo do que a classe C brasileira. Enquanto isso, o PT também vende a idéia de que “tirou” 13 mil famílias da miséria. Sua tática estatística chega a ser mórbida: deu-lhes R$ 2 nos programas assistencialistas.

É uma lógica muito esquisita, mas ainda muito lógica. É a visão dinheirista, de controlar a economia e o que as pessoas fazem com seus bolsos. Primeiro se toma delas, depois se dá umas migalhas de volta. Assim que as migalhas forem entregues, afirma-se que o Estado “deu” algo a elas, e que elas devem agradecer por isso com novos votos.

lula zumbiFalando sobre “os ricos”, por exemplo, Lula, O Sábio, é taxativo (com duplo sentido) com essa elite que não gosta de ter tudo tomado pelo Estado. Essa classe, “quando paga imposto de renda, restitui uma grande parte do plano de saúde, portanto, é o Estado que paga para ela”. É bastante curioso que “restituir” o que é tomado à força, um dinheiro pego por força imposta, seja sinônimo de que o Estado “paga” para ela. É como o ladrão lhe deixar com o dinheiro do ônibus, e se afirmar que ele pagou por você. Lula ainda complementou na última semana: “Eles tiraram o dinheiro da saúde”. Eles, aquela entidade amorfa e desconhecida que é sua inimiga número 1.

É o modelo de troca que Franz Oppenheimer define como “modelo político”: você toma o que o outro produziu. No modelo econômico, você produz e tem algo novo. No modelo político, você toma do outro por imposto, e algo, ao invés de produzido, é subtraído. É esta a mentalidade do petismo e dos viciados em Estado-Babá: tomar o que é dos outros, e com um discurso de “doação” por deixá-los com algumas migalhas. É este o vício dos odiadores do mercado.

Lula, Ele, afirma que “só rico tem direito a check-up”. É verdade: apesar de afirmar com um deboche nojento, próximo do escárnio aos pobres, que uma Unidade de Pronto Atendimento em Pernambuco “tá tão bem estruturada que dá até vontade de a gente ficar doente pra ser atendido aqui”, quando fica doente, vai correndo para o Sírio Libanês, onde os comuns mortais atendidos em UPAs não podem ousar pisar.

É de novo o pensamento circular. Sempre que Lula fala que “falta muito para dar às pessoas humildes o tratamento mais respeitoso”, só quer dizer: “eu fiz tudo, mas se disserem que não fiz, votem em mim que só eu farei mais”.

Mas relembrando tudo isso, não está faltando uma cobrança no passado de Lula e do PT, com todas essas frases meramente eleitoreiras, tratando a população como cordeiros amestrados? Precisamos mesmo de médicos cubanos? Essa história tem alguma coisa a ver com medicina, ou novamente será apenas manipulação estatística e preocupação com seus cupinchas eleitorais, mesmo a ditadura dos irmãos Castro?

Para responder a isso, basta voltar mais alguns anos no passado petista. Que tal conhecer o projeto do posteriormente presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, visando proibir novos cursos de medicina no país, para evitar medicina de má qualidade?

É um grande achado de Rodrigo Constantino (leiam tudo), mas um parágrafo especial talvez responda isso. Dizia o texto do PL 65/2003:

O Projeto de Lei estabelece, ainda, que o Poder Executivo deverá definir normas para controle de entrada de profissionais de outros países no mercado brasileiro. É de extrema importância que seja tomada tal medida, em vista da globalização da economia e especialmente da integração de nossa nação no Mercosul. O intercâmbio científico, cultural, econômico e social é uma realidade que devemos impulsionar, e para que isso ocorra em benefício de nossas populações, cada poder nacional deve ter regras democráticasNo exercício da medicina é necessário que os cursos feitos no exterior sejam validados como dispõe o art. 4º do presente projeto de Lei.

É, provavelmente seja mesmo o caso de perguntar se o SUS já não estava à beira da perfeição com o PT. Será que eles mentiram e te trataram como ignorante para conseguir seu voto antes, ou será que estão fazendo isso agora?

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