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Um dia que viverá na infâmia.

por Yashá Gallazzi

 

Tomo emprestada a famosa frase de Franklin D. Roosevelt porque é a que melhor retrata esta quarta-feira sombria de junho, dia em que a democracia brasileira foi definitivamente atirada no abismo das trevas.

Por 6 votos a 3, o Supremo Tribunal Federal decidiu que o terrorista italiano Cesare Battisti, condenado pela participação em quatro atentados realizados no final dos anos 70, na Itália, não deve ser extraditado para a Itália. Segundo a maioria dos ministros, a decisão final de dar abrigo a Battisti, tomada por Lula, no final do seu governo, tem mais força que as regras de direito internacional.

No intento de afirmar uma suposta “soberania”, os ministros disseram, na prática, que a palavra de Lula é a lei. Fecharam a casa maior do Poder Judiciário brasileiro e, inclinando-se em reverência, entregaram as chaves ao PT. Pouco importa que o italiano seja mesmo culpado de múltiplos assassinatos, como fez questão de asseverar o ministro Ricardo Lewandowski. Se Lula decidiu que ele deve ganhar as ruas, assim seja!

O episódio me provoca náuseas profundas, talvez porque descendo de família italiana e pude acompanhar pela ótica daquele país, através do convívio com quem vivenciou a coisa na pele, o que significou o período de terror promovido por grupelhos paramilitares de extrema-esquerda como o de Battisti.

Não! Pensando bem, minha repulsa vem do conhecimento detalhado de todos os crimes hediondos que Cesare Battisti e seu bando cometeram. Sempre que vejo um esquerdista defendendo o terrorista italiano com tanto empenho, me pergunto se ele age assim por não conhecer os fatos com propriedade, ou se o faz porque efetivamente os conhece muito bem. Essa gente, sabemos, sempre teve seus terroristas e assassinos de estimação… Faço, pois, uma rápida síntese do caso:

Battisti e seu grupo – os Proletários Armados pelo Comunismo – foram responsáveis, diretamente, por quatro atentados que resultaram em mortes. Um dos que ganhou mais destaque foi o massacre da família Torregiani, alvo de um atentado que tinha por objetivo matar o comerciante Pier Luigi Torregiani. O filho dele, Alberto, está numa cadeira de rodas há mais de 30 anos, em decorrência dos ferimentos.

Pois bem, quem era Pier Luigi Torregiani e o que ele fez para “merecer” a ira de Battisti e seu grupo terrorista? Terá sido um direitista fanático? Terá sido um fascista que caçava comunistas no passado? Nada disso! Segundo palavras do próprio grupo de Battisti, o “crime” de Torregini foi ser um… comerciante!

Ao ser assaltado em seu estabelecimento comercial, Torregiani reagiu e um dos bandidos foi morto. O grupelho de Battisti não considerou o ato perpetrados pelos bandidos como um assalto. Em vez disso, definiu-o como sendo a ação de “jovens que, não tendo cedido à extorsão do trabalho assalariado, escolheram o caminho da reapropriação”. Sim, é isso mesmo! O assalto a um comerciante não era visto como crime pelos vagabundos liderados por Battisti, mas como uma “reapropriação”. A linguagem sociopata não está sequer escondida, mas escancarada.

Por isso Pier Luigi Torregiani foi morto. Por isso sua família foi dizimada. Por isso seu filho Alberto está inválido, numa cadeira de rodas. Simplesmente porque um grupo de criminosos decidiu que ele não tinha o direito de defender sua propriedade da ação de… outro grupo de criminosos! Ele deveria se submeter à tal “reapropriação”, presumo.

Outra vítima dos Proletários Armados pelo Comunismo foi o agente de segurança Andrea Campagna, assassinado em Milão, em abril de 1979. O motivo do crime? Campagna foi um dos primeiros a atuar nas investigações e posteriores prisões relativas ao massacre da família Torregiani. Era Battisti cuidando de assassinar quem ousou buscar os responsáveis por aquela chacina bárbara. E quando eu digo que Battisti assassinou, estou querendo dizer exatamente isso: ele matou Campagna com suas próprias mãos!

Pergunto: o que há de crime político no que vai acima? O que Battisti e o PAC fizeram foi um crime hediondo comum! E por isso foram devidamente processados e julgados segundo as leis da democracia italiana. Sim, isso mesmo! Naquela época, não havia mais nem sombra de fascismo na Itália, que já vivia uma democracia sólida. O Estado de direito democrático italiano julgou e condenou Battisti à prisão perpétua. É o que países decentes fazem com terroristas assassinos. O Brasil, que não passa de uma republiqueta indecente, deu abrigo ao facínora e, ontem decidiu colocá-lo na rua, ao lado de pessoas como eu e você, leitor.

A crua verdade dos fatos causa ainda mais arrepio, e traz a bílis até a garganta: Battisti só ganhou abrigo e proteção do Estado brasileiro porque é ideologicamente próximo do governo petista. Como disse acima, essa gente empenhada em construir o tal “outro mundo possível” sempre viveu tendo que explicar seus assassinos de estimação. Convenhamos que para quem se criou fazendo contorcionismo para justificar Stalin, Mao, Castro e Guevara, colocar Battisti no colo é tarefa fácil…

Alguém sinceramente acha que se o assassino preso no Brasil fosse ligado a um grupo terrorista neonazista, almas pias como Eduardo Suplicy, Gilberto Carvalho, Marco Aurélio Garcia, Chico Alencar e Lula moveriam uma palha para colocá-lo em liberdade? Alguém consegue imaginar a Advocacia-Geral da União chamando o sujeito de “militante”, e dizendo que seus crimes foram “atos de resistência política”? Eu, não! O que eu consigo imaginar é o sujeito sendo queimado vivo, numa fogueira montada no centro da praça dos três poderes.

Por favor, não quero que os eventuais esquerdistas que lerem este texto me entendam mal: não estou sugerindo que o hipotético terrorista partidário do nazismo merecesse a mesma liberdade que foi dada a Battisti. Estou dizendo é que Battisti mereceria a fogueira que certamente seria dada àquele!

É que diferente dos humanistas que abraçam um assassino condenado, eu não tenho bandido nenhum para chamar de meu. Nem professo uma ideologia que demanda a justificação diária da morte, da miséria e do terror. Eu não preciso, como diria Dilma, tergiversar para dizer que as 70 milhões de mortes legadas pelo regime maoísta foram “um acidente de percurso”; da mesma forma, não preciso chamar homicida de “ativista político”, para tentar lavar sangue inocente das minhas mãos.

As instituições brasileiras hoje chegaram ao fundo do poço. E, não satisfeita, cavaram a fim descer ainda mais baixo…

O julgamento do STF me atinge, pessoalmente, de duas formas, ambas muito duras. Como brasileiro, que nasceu e viveu sempre aqui, me sindo envergonhando, diminuído, ultrajado. Como italiano, filho de pais que vieram ao Brasil há décadas, me sinto ainda mais vilipendiado e ofendido pela forma como a corte constitucional brasileira escarneceu da democracia, da justiça e do sistema de liberdades individuais.

Lula e o PT, por afinidade ideológica, cuspiram na memória das vítimas de Cesare Battisti ao decidir abrigá-lo aqui. Violentaram um dos mais poderosos institutos do direito internacional, ao conceder status de refugiado político a um terrorista condenado por crimes comuns praticados contra inocentes.

O STF tinha a chance de honrar a pequena e ainda infante democracia brasileira, ordenando que um sociopata homicida fosse obrigado a cumprir sua sentença. Em vez disso, determinou a soltura imediata dele, que agora segue rumo ao próximo ato dessa ópera bufa: assumir um cargo no governo petista – ou alguém aí duvida que isso vá acabar acontecendo?

Entre a civilização e a barbárie, o Brasil escolheu esta última. Ministros da Suprema Corte aceitaram rastejar na pocilga ideológica formada a partir do sangue daquelas pessoas que Battisti e seus proletários armados derramaram. A história se encarregará de atirar este país na lata de lixo da história por conta do que se viu ontem. E, sinceramente, não consigo imaginar destino mais adequado para um lugar que se presta a defender e abrigar a escória do mundo.

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