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A Copa acabou e o que vem agora é um segundo semestre bastante complicado para o país

Inflação, dívidas, desemprego, quedas de produção… Enquanto o PT bancava um evento esportivo, a economia do país se despedaçava. E a conta está chegando.

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Por mais que o governo tente amenizar maquiando como pode os problemas vividos pelo país, os próximos meses prometem ser complicados para o Brasil. A inflação, por exemplo, já acumulou alta de 6,52% nos últimos 12 meses, ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 6,5%. No primeiro semestre de 2014, ela já fechou 0,6% mais alta do que no mesmo período do ano passado.

Mas esse índice estaria ainda pior se Mantega não se valesse do que ele mesmo chama de “contabilidade criativa”, uma tentativa disfarçada de manipular índices por meio de artifícios condenados pelo bom senso, como o congelamento de preços. Segundo estimativa de Alberto Ramos, economista-chefe para a América Latina do Goldman Sachs Group Inc., eles já estariam subindo quase 8% sem esse controle, cujas consequências devem aparecer já em 2015.

O vencedor da eleição presidencial de outubro sofrerá as consequências das políticas que seguraram os preços da energia elétrica em 30 por cento, as tarifas dos ônibus urbanos em 20 por cento e os preços da gasolina em 15 por cento desde 2011, segundo dados da empresa Modal Asset Management, com sede no Rio de Janeiro.

Levantar os controles irá desencadear pressões que manterão a inflação acima do ponto médio da meta pelo sexto ano seguido.

A situação está tão complexa que os brasileiros já não mais conseguem economizar como antes. De acordo com dados do Banco Central, em função dos juros altos e da inflação, a captação líquida da caderneta de poupança caiu 66% nos primeiros seis meses do ano.

— A poupança é função da renda, e a renda não está crescendo. A queda da captação líquida da poupança é uma tendência, porque cada vez mais vai sobrar menos dinheiro para economizar — diz o economista-chefe da corretora Gradual, André Perfeito.

Enquanto isso, a expectativa do crescimento do PIB cai semana após semana. Agora, os economistas de instituições financeiras apostam em uma expansão de apenas 1,07%, o que já ligou o alerta até de publicações internacionais. O britânico Financial Times afirmou que Dilma deve esquecer Neymar e pensar nas eleições e na economia, e revelou projeções ainda piores para o país.

E, conforme ressalta o blog, as previsões de alguns economistas são ainda mais sombrias, caso do BNP Paribas, que prevê um crescimento de apenas 1% neste ano e no próximo. A inflação também preocupa, aproximando-se do teto da meta (6,5% ao ano), enquanto os números da produção industrial são verdadeiramente desanimadores. Os dados da indústria mostraram uma queda de 3,2% no ano até maio, com a produção de bens de capital caindo 9,7%, bens intermediários registrando uma contração de 2,8% e bens de consumo, 2,2%.

Grandes eventos esportivos sempre estiveram na mira dos políticos mais questionáveis. Desde Mussollini e Hitler usando respectivamente a Copa de 34 e as Olimpíadas de 38 para propagar o fascismo e o nazismo, a Fidel Castro nos jogos pan-americanos de 91 e a China se vendendo ao mundo nos jogos de 2008. Em sua época mais complexa, Estados Unidos e União Soviética se boicotaram mutuamente quando sediaram a maior competição do planeta em 1980 e 1984. Quando o PT assinou o cheque em branco da realização de um Copa do Mundo no Brasil, mirava nos benefícios de um terceiro mandato em 2010, com forte possibilidade de quarto mandato nas eleições de 2014. O primeiro se confirmou. Quanto ao segundo, manteve a esperança acesa até a véspera das semifinais, quando Dilma chegou a se fotografar fazendo gestos em apoio aos jogadores. Após o trágico “7×1” sofrido contra a Alemanha, o “#tamojunto” virou uma reunião de emergência para descobrir uma maneira de descolar a imagem do partido da competição. Nesse sentido, o Financial Times pode ficar tranquilo: esquecer Neymar e sua trupe é tudo o que Dilma mais quer neste exato momento.

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