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A culpa do futebol feminino não emplacar não é da mídia, mas sim da falta de público

Diante do resultado nos Jogos Olímpicos Rio 2016, o debate ressurge. E, como sempre, a premissa está errada.

Toda Olimpíada tem um mesmo roteiro, com mudanças eventuais de esporte/categoria. Após alguma derrota, vários “especialistas” fazem o mesmo diagnóstico: faltou apoio da mídia e/ou do governo.

Parece tentador concordar com isso, mas trata-se de um equívoco. Mais ainda quando dizem que abafam ou boicotam determinadas modalidades. E tem-se ouvido muito isso acerca do fufebol feminino (falamos sobre recentemente, vale lembrar).

Em primeiro lugar, a mídia não abafa nem boicota. Quando se trata de esporte, ela divulga o que dá público, mas não tem a capacidade de CRIAR uma audiência fixa para determinada atividade. Com boa propaganda e divulgação, conseguem atrair audiência a um ou dois jogos, mas a TODO UM CAMPEONATO isso é impossível, a menos que muitas (muitas, mesmo) pessoas já tenham genuíno interesse.

A coisa funciona assim: determinada atividade esportiva ganha o interesse do público, atrai multidões etc. Alguém da TV arrisca transmitir e – AÍ É O PULO DO GATO! – precisa dar audiência. Deu? Transmitem mais e mais, a ponto de passar torneios inteiros. Com isso, patrocinadores aparecem e, aí sim, os esportistas que se destacam ganham mais, começam a estrelar propagandas etc.

Exemplo razoável é o MMA: o interesse das grandes emissoras veio DEPOIS da constatação de que se tratava de um fenômeno de público (ou, vá lá, ao menos algo com potencial). No exato momento em que a audiência despencar, tratarão de mudar de horário, tirar da grade e assim por diante.

Desse modo, e por óbvio, só há um caminho de o futebol feminino aparecer na “mídia”: haver interesse do público, lotar estádios nos jogos profissionais etc. Aí cabe perguntar, a quem hoje reclama da falta de destaque na imprensa, quantas vezes já foi a um jogo profissional de mulheres.

Pois é.

Mas é aquilo, o esquerdista não está preocupado com os fatos, com a lógica ou com a ordem das coisas. A ele, no fim, importa apenas o discurso e o quanto ele PRECISA estar adequado a seu dogma ideológico.Como já disse Millôr, o socialista é um alfaiate que, quando a manga da camisa está muito curta, ele corta o braço do cliente.

Enfim, comecem a prestigiar o futebol feminino, indo de fato aos estádios, ginásios e que tais. Comprem os produtos a ele relacionados, juntem suas turmas e amigos e compareçam todos! Assim, e somente assim, haverá uma consagração de fato. E números não faltam: se 10% de quem “lacra” nas redes ou dá like aparecer, já teríamos o maior público da história em um campeonato.

Mãos à obra!

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