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A decadência do etanol no Brasil

Nada menos que 27 unidades produtoras fecharam as portas ou entraram em recuperação judicial. E a previsão é de que outras 12 usinas encerrem suas atividades ou peçam na Justiça alívio para quitar suas dívidas.

Graca-Foster-Dilma-Rousseff

O ex-presidente Lula, utilizando seu forte poder de retórica e persuasão, sempre gostou de vender os planos de seu governo acompanhados das mais elogiosas hipérboles. Foi o que ocorreu quando lançou o projeto do etanol como fonte de energia renovável, que prometia ser a melhor alternativa para fugir das altas dos preços dos barris de petróleo ao longo de seu governo. Durante o lançamento de um carro, em 2007, afirmou até que “haverá um momento em que o mundo irá se curvar aos combustíveis renováveis e o Brasil vai poder vender mais”. A realidade, no entanto, como mostra o El País, é que o Brasil nunca conseguiu deslanchar sua produção de combustível à base de cana-de-açúcar.

Uma forte quebra da safra em 2011 levou os preços do álcool combustível às alturas e hoje nem mesmo o consumidor brasileiro, que foi incentivado nos últimos anos a abastecer com o produto em consequência da popularização dos veículos bicombustíveis, ou flex, quer saber do etanol.

(grifos nossos)

Paralelamente ao lançamento do álcool brasileiro, os Estados Unidos lançaram seu próprio biocombustível: um etanol extraído do milho. A meta de crescimento de sua produção foi estabelecida por lei em 2005; assim, embora a cana-de-açúcar tenha um rendimento muito maior, a produção americana no ano passado já era mais que o dobro da brasileira: 50 bilhões de litros contra 23,6 bilhões.

O que aconteceu foi a falta de visão estratégica do governo, que não percebeu que os Estados Unidos, quando adotam uma lei, cumprem. A nossa produção estagnou enquanto a deles disparou”, afirmou Daniele Siqueira, analista de mercado da Agência Rural.

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Na tentativa de alavancar o consumo de álcool, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), lançou a campanha “Etanol, o combustível completão”, mas a política da presidente Dilma não empolga os empresários do setor.

Para Gláucio de Oliveira, sócio-diretor da ADN Corretora, especializada em álcool, no entanto, a política do Governo para o setor é equivocada. “Quem é que vai querer investir com o teto de preços que o Governo impõe aos combustíveis? Do modo como é hoje, a remuneração ao setor é sufocada”, diz ele.

A crítica também é feita por Maurílio Biagi Filho, presidente do Grupo Maubisa, do ramo do agronegócio. “Esse último reajuste de gasolina que a Petrobras autorizou sepultou o setor sucroenergético, além de ter impactado muito negativamente nas ações da própria estatal”, afirmou ele, cujo pai, Maurílio Biagi, foi um dos empresários, junto com Orlando Ometto, da Cosan, entre outros, que convenceu o ex-presidente Ernesto Geisel, da junta militar, a adotar o Programa Nacional do Álcool (Pró-alcool) em 1975.

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A reportagem do El País afirma também que a descoberta do pré-sal é uma das razões para a decadência do etanol brasileiro, uma vez que o interesse dos investidores se voltou totalmente para as reservas de petróleo e levou o governo a virar as costas para a sua antiga menina dos olhos, provocando o congelamento da área sucroalcooleira.

Entre os anos de 2007 a 2010, 76 usinas de cana-de-açúcar foram construídas no Brasil. Mas, de 2011 a 2012, 27 unidades produtoras fecharam as portas ou entraram em recuperação judicial. E até o final do ano-safra 2013/14, terminologia adotada na agricultura que representa o ciclo dos cultivos, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que representa os usineiros, prevê que mais 12 usinas encerrem suas atividades ou peçam na Justiça alívio para quitar suas dívidas.

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Para completar, segundo a revista alemã Der Spiegel, o governo leiloou um “tesouro por uma pechincha” ao licitar o campo de Libra, do pré-sal. Enquanto isso, a Petrobrás se deteriora a olhos vistos, como afirma o edital do Estadão de 29 de novembro de 2013:

A margem operacional da empresa – resultante da comparação do resultado operacional (excluídos o resultado financeiro e o pagamento do Imposto de Renda) com a receita líquida -, que era de 29,6% no início de 2006, baixou para 10,63% no início deste ano, como mostram alguns estudos. O retorno sobre o capital investido – que indica a relação entre o resultado operacional e o valor do capital investido na empresa – caiu de 29,2% no início de 2006 para 4,8% no primeiro trimestre deste ano. Apesar da capitalização, a dívida líquida triplicou entre 2008 e 2012.

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A imprensa brasileira já há um tempo se preocupa com a gigante do petróleo que anda em apuros graças à contaminação política de sua administração. No entanto, foi preciso um jornal espanhol chamar a atenção para o fato de que a Petrobrás é apenas parte de um projeto energético que vem se deteriorando já há um tempo.

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