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A exemplo de Marta, o petista Fernando Haddad também pretende fugir do PT na campanha

O desgaste de Dilma Rousseff, de Lula e do próprio PT faz com que candidatos historicamente ligados a eles agora tentem passar bem longe de qualquer associação. Mas provavelmente não terão sucesso nisso.

Já falamos aqui sobre os candidatos petistas, nestas eleições municipais, que pretendem passar bem longe de Lula e Dilma Rousseff. A rejeição extrema desses dois, bem como aquela do partido, pode ser o bastante para que fracassem nas urnas de forma retumbante.

Impossível não citar o caso de Niterói, em que o (agora ex) petista via suas intenções de voto caírem MAIS DA METADE ao citar seu vínculo com a legenda.

Marta Suplicy e Fernando Haddad: os dois candidatos pretendem mostrar distância do PT e provavelmente não terão sucesso (mas não custa tentar, pois sempre tem algum desavisado que acredita)

Marta Suplicy e Fernando Haddad: os dois candidatos pretendem mostrar distância do PT e provavelmente não terão sucesso (mas não custa tentar, pois sempre tem algum desavisado que acredita)

E agora, quem diria!, até mesmo Fernando Haddad segue esse caminho. Ainda que de maneira enviesada, o “prefeitão” de São Paulo já deixa claro que não quer saber de partido, Dilma ou Lula em sua campanha.

Numa entrevista concedida à TV Estadão, na qual evitou falar em “golpe”, alegando que a palavra é muito “forte” e “dura” e lembraria “ditadura militar, armas e tanques nas ruas” (também antecipamos tal narrativa para este ano), ele também disse o seguinte:

Impeachment deve surgir nos debates, mas meu foco são as propostas para São Paulo (…) Ela (Dilma) está vivendo um momento difícil, me solidarizo. Com essa sobrecarga dela, esse tipo de abordagem é injusto, é uma pessoa que está sofrendo um processo político e seria um desrespeito tratar um drama desse pensando se vai trazer voto ou não (…) Temos de aproveitar o horário eleitoral para discutir temas que afetam a vida do eleitor (…) O presidente Lula vai julgar a conveniência de participar ou não da campanha (…) Nosso desafio não é apresentar um candidato, mas uma proposta, nossa tarefa hoje é outra (…) Todos os partidos estão envoltos em escândalo, o PMDB acaba de ser tragado pela Lava Jato, além disso o PSDB também está no foco da Lava Jato.

O bom entendedor precisa de meia palavra, mas com todas essas proferidas por Haddad, reconheçamos, até um péssimo entendedor captaria a mensagem. Ele vai fazer de tudo para não passar nem perto de qualquer associação a Impeachment, Dilma, Lula, PT, Lava Jato etc. Mas, claro, não conseguirá. A começar pelos secretários enrolados na operação da PF.

Claro que as eleições municipais, no geral, são mesmo focadas nos problemas locais. Mas o momento atual é absolutamente atípico, grave, e fará toda a diferença.

Não por outro motivo, aliás, que a até anteontem petista Marta Suplicy, candidata pelo PMDB, fará de tudo para que não associem ao partido.

Porém, se for confirmada a previsão de Haddad, e houver mesmo segundo turno entre Marta e João Dória (PSDB), a coisa muda de figura. Ela precisará do eleitorado mais à esquerda e, com isso, terá de cedo ou tarde rasgara a fantasia. Mais uma vez, serão vermelhos contra azuis, e não terá como a candidata negar sua essência rubra.

Enfim, certamente a tentativa de Haddad não dará certo e ele será sempre associado ao PT, a Lula e a Dilma Rousseff. Mas, a esta altura, o que resta a ele é tentar essa dissociação. Aliás, nem mesmo Marta conseguirá. Melhor que aceitem isso logo e já preparem estratégias contando com esse fato.

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