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A Petrobras ainda pode ser um calo para Dilma nessa campanha

O ex-diretor de abastecimento acordou uma delação premiada, o que forçou Dilma e se manifestar minimizando o papel dos funcionários da instituição.

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Com o andamento da CPI que investiga os recentes escândalos da Petrobras, as notícias a respeito dos envolvidos continuam aparecendo. Há poucos dias, foi divulgado que a presidente da estatal, Graça Foster, e o ex-diretor da Área Internacional Nestor Cerveró se desfizeram de imóveis – por meio de doações a familiares – a fim de evitar que eles fossem bloqueados junto a outros de seus patrimônios.

Os bens mudaram de mãos antes de o Tribunal de Contas da União (TCU) determinar o bloqueio do patrimônio de dez gestores da Petrobras apontados como responsáveis por um prejuízo de US$ 792,3 milhões na compra da refinaria. O bloqueio foi determinado no dia 23 de julho justamente para garantir que os bens não sejam movimentados pelos gestores e possam garantir o ressarcimento aos cofres da estatal.

Para piorar a situação dos envolvidos, o ex-diretor de Abastecimento da empresa Paulo Roberto Costa resolveu fazer delação premiada após a deflagração da quinta fase da operação Lava Jato, que vasculhou endereços de 13 empresas de consultoria, gestão e assessoria ligadas a pessoas próximas a ele.

Ele não fez ainda nenhum depoimento. Nem o acordo foi assinado. Se falar o que sabe muitos políticos poderão ser incriminados. No período em que atuou na Petrobras, manteve contatos com parlamentares, empreiteiros e também com o doleiro Alberto Youssef, mentor da Lava Jato, segundo a PF.

A fim de amenizar os problemas, a presidente Dilma Rousseff passou a utilizar uma nova estratégia para tentar defender a estatal, afirmando que ela é muito maior que qualquer um de seus agentes.

“Não se pode confundir as pessoas com as instituições. A Petrobrás é muito maior que qualquer agente dela, seja diretor ou não, que cometa equívocos, crimes – ou, se for julgado, que se mostre que foi condenado. Isso não significa uma condenação da empresa”, disse Dilma, em coletiva de imprensa concedida na manhã deste domingo no Palácio da Alvorada.

Mas as tentativas da presidente não têm surtido efeito. Segundo analistas, as ações da Petrobras podem se valorizar muito caso Dilma continue caindo nas pesquisas eleitorais, pois os investidores acreditam em uma recomposição dos preços dos combustíveis, o que melhoraria a rentabilidade da empresa em um possível novo governo.

Os papéis da estatal, que tiveram o melhor desempenho entre as ações de grandes petroleiras nos últimos seis meses, poderão subir mais 30 por cento se um dos dois principais candidatos da oposição for para o segundo turno nas eleições de outubro, de acordo com a Teórica Investimentos. A ação também pode se beneficiar se um dos candidatos ficar à frente da presidente nas pesquisas, segundo a ING e a Guide Investimentos SA.

Seja pelo capital que rende à nação, seja pela quantidade de empregos que gera, a Petrobras ainda se mostra como uma marca bem quista pelos brasileiros. Exceto pelos protestos de junho de 2013, o momento em que Dilma mais perdeu prestígio público se deu quando em março a imprensa passou a alertar a população a respeito da forma como o petismo vinha prejudicando a estatal. A situação se agravou a tal ponto que já há candidatos à presidência defendendo a sua privatização, algo que seria impensável em pleitos anteriores. Uma mudança de comando no Brasil seria bastante benéfica a pelo menos a imagem da empresa. Mas, dada a falta de criatividade das mentes petistas para o gerenciamento da economia, é de se acreditar que não só o modo como o mercado a vê seria afetado positivamente.

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