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A renúncia de Cunha é péssima para Dilma e PT por dois motivos. Entenda.

Se estiver com preguiça de ler o post, vai a síntese: discurso/simbolismo e articulação. Mas até que está curto, então leia sim que é rápido :)

Eduardo Cunha - Dilma Rousseff - renuncia - impeachment - Foto Pedro Ladeira Folhapress

Eduardo Cunha (PMDB/RJ) acaba de renunciar à Presidência da Câmara dos Deputados, por meio de uma espécie de pronunciamento transmitido pelas emissoras de notícia. Continua como deputado, mas perderá várias regalias e muito poder. Muito, mesmo.

Desse modo, os petistas devem estar comemorando, certo? Não, não estão. Exceto um ou outro militante mais inocente (sim, os há), o resto está ressabiado, especialmente os líderes.

Isso porque a renúncia do inimigo é péssima para o partido. E por dois motivos.

Discurso e Simbolismo – o “Fora, Dilma!” sempre vinha acompanhado de um “Fora, Cunha!” de rebote, e isso mesmo na imprensa ou nas colunas. Sua permanência presidindo a Câmara era uma espécie de subterfúgio a quase justificar algumas defesas da presidente afastada (sim, é idiota, mas faziam isso). Muitas vezes – e esse é um caso assim – o algoz AJUDA a narrativa e, quando é finalmente abatido, com ele também cai boa parte da trama engendrada. Foi o que houve; acabou esse discurso. Aliás, ele já estava afastado, a renúncia foi quase uma chancela desse afastamento. E a mensagem simbólica do ato recairá sobre Dilma, que passa por situação relativamente similar.

Articulação – a Presidência da Câmara é um cargo de muita disputa (muita, mesmo), o que engajará diversos partidos e reformulará algumas das forças da casa. Há espaço para o novo governo rearranjar aliados e, com isso, os petistas tenderão a perder ainda mais sua influência (já bem escassa, vale lembrar). E é importante rememorar também que o conflito Cunha x PT surgiu numa eleição dessas, quando o partido resolveu atropelar o que seria um trato entre legendas aliadas e ganhou assim um inimigo de estimação poderoso.

Enfim, a notícia é arrasadora para os petistas. Perdem um de seus principais discursos, recebem sobre si o peso simbólico desse ato e ainda por cima diminuirão seu poder no Congresso.

Assim, vale apostar na boa, velha e infalível regra: se é ruim para o PT, de alguma forma será bom ao Brasil.

Aguardemos para saber como.

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