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Aécio Neves disse que “é preciso salvar a política” – mas salvar de quem?

Para dizer o mínimo, foi uma fala desastrosa.

Foto: George Gianni

O país vive um momento político totalmente fora do normal, absolutamente atípico, e não é preciso ser exatamente um mestre da análise para constatar isso. Os fatos saltam, dia após dia, e eleições recentes comprovam a tendência de voto no “outsider”.

Motivo: o povo está enfastiado com a política e os políticos tradicionais. Ora, falemos em linguagem clara: o povo está DE SACO CHEIO.

Mas parece que justamente a classe tradicional política não se deu conta disso. Senão vejamos o que disse Aécio Neves em jantar realizado em Brasília, na presença de integrantes dos mais diversos partidos e esferas do poder:

“Todo mundo vai ficar no mesmo bolo e abriremos espaço para um salvador da pátria? Não, é preciso salvar a política (…) Um cara que ganhou dinheiro na Petrobras não pode ser considerado a mesma coisa que aquele que ganhou cem pratas para se eleger” (grifamos)

Aécio não está errado ao dizer que são condutas diferentes, porque obviamente o são. Qualquer um sabe disso. Porém, embora haja gradação na gravidade, AMBAS SÃO REPROVÁVEIS. Mas, para além dessa tecnicidade, à qual ficou presa boa parte da análise política nacional, há outro fato.

A frase mais grave e mais identificadora: “é preciso salvar a política”.

Como assim “preciso”? E salvar de quem? Não é nada disso. A frase tem leitura óbvia, algo como: “precisamos SALVAR-NOS”. É a política, por meio de seus membros tradicionais, que emite o brado de salvação da própria espécie, quase um urro de autopreservação.

E Aécio – querendo ou não – assumiu o papel de líder do “sistema”, atraindo para si justamente o fator mais repudiado pelos eleitores nos dias de hoje.

Movimento desastroso para 2018.

Fonte: Folha de SP

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