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Quem ainda confia em Guido Mantega?

Pela terceira vez no ano, o ministro da Fazenda reduziu a previsão de crescimento do PIB para 2013

Num entendimento simples, alta de dólar é resultado de fuga de investidores. Vão embora com seu capital, o dólar se torna algo cada vez mais raro por essas bandas, a lei da oferta e da procura se faz valer e de repente tem-se a maior cotação desde dezembro de 2008. Tais investidores costumam fugir quando não sentem segurança no mercado o qual investem. E que tipo de segurança se tem numa economia comandada por Guido Mantega?

Em notícia de quinta-feira, o ministro da Fazenda reduziu a previsão de crescimento do PIB de 3% para 2,5%. Isso se deu um mês após a redução ter sido anunciada de 3,5% para 3%, e três após serem descartados os 4% prometidos ainda em dezembro. Como um terço do ano ainda está por vir, é de se imaginar que esta enfadonha pauta retorne às manchetes antes de o número do real do crescimento ser conhecido. Pauta esta que já foi bastante malhada em 2012, em 2011, em 2010, e por aí vai.

Tantas previsões erradas, sabe-se lá se por incompetência ou conveniência política, deixam a estabilidade do mercado extremamente abalada. Segundo notícia de hoje mesmo no Correio Braziliense, a confiança da indústria voltou a cair e atingiu menor nível desde 2009. E mesmo o dólar em alta, algo que costuma favorecer as exportações, não deve impedir o déficit da balança comercial de produtos industrializados com o pior desempenho em 13 anos.

Em 13 anos.

Não é de hoje que não se deve perder tempo levando a sério o que o ministro da fazenda fala. Em 16 de dezembro de 2007, Mantega, em nota oficial, disse que não defendia a criação de uma nova CPMF e que as suas declarações a respeito do assunto foram mal interpretadas. Contudo, 15 dias depois, após os estourar de fogos da noite de ano, fantasiou a CPMF de IOF e disse que “o que o governo fez foi trocar seis por meia dúzia“.

Em outubro de 2008, Lula disse que a “crise tsunami” dos EUA chegaria uma “marolinha” por aqui. Em 2010, celebrando a suposta vitória de sua própria metáfora, colocou Dilma no poder e preservou a equipe econômica. Talvez o país ainda não tenha sido devastado por uma ressaca. Mas há muito tempo as água abandonaram a tranquilidade por aqui. E Guido Mantega segue tocando o barco com o mesmo discurso – como se alguém ainda acreditasse.

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