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Ainda refém de interesses políticos do governo, Petrobras entrega obras incompletas

Os acabamentos seriam feitos já com elas no mar, onde o processo é mais lento e caro e mais inseguro para os trabalhadores

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A Petrobras tem sofrido muitas perdas durante os anos de governo Dilma, tanto de valor quanto de credibilidade. Há cerca de uma semana, a estatal foi envolvida na investigação de suborno da holandesa SBM Offshore NV, a maior fornecedora mundial de plataformas flutuantes para exploração de petróleo. Funcionários da Petrobras ficariam com cerca de 2% das “comissões” pagas pela fornecedora.

Entre 2005 e 2011, a SBM pagou US$ 250 milhões em subornos, dos quais mais da metade, precisamente US$ 139 milhões, teriam sido desembolsados por meio de “comissões” a intermediários e a funcionários da Petrobras para obter contratos com a estatal.

Agora é a vez de a estatal ser acusada de usar plataformas inacabadas para ajudar o governo. Segundo matéria do Estadão, a Petrobras andou entregando obras incompletas para acalmar os ânimos do mercado. Os acabamentos seriam feitos já com elas no mar, onde o processo é mais lento e caro e mais inseguro para os trabalhadores.

O diretor de segurança e saúde do Sindipetro-NF, Norton Almeida, credita o lançamento ao mar de plataformas ainda não operacionais a pressão política. No início do mês, ele embarcou na P-62 e conferiu pessoalmente os problemas. O sindicato diz que o sistema náutico saiu do estaleiro sem um cabo de ré, sem uma das amarras do sistema de ancoragem de bombordo (lado esquerdo) e sem o sistema elétrico pronto, entre outros itens.

Esse sistema elétrico incompleto obrigou a instalação de um gerador que em janeiro pegou fogo ao lado de um tanque de diesel, colocando muitos funcionários em risco durante o controle do incêndio, que demorou 40 minutos. Segundo o sindicato, bastavam mais alguns dias no estaleiro para que muitos desses problemas fossem evitados.

As pressões certamente vêm do péssimo momento econômico da empresa. Nas últimas semanas, a Petrobras escorregou feio nas bolsas. Das 11 maiores petrolíferas do mundo com capital aberto, é uma das três que sofreram as maiores perdas, com queda acima dos 10%.

E o cenário nebuloso deve ser mantido no horizonte. Em seu primeiro discurso como presidente do Fed, Janet Yellen informou sua intenção de seguir cortando estímulos à economia. Até agora, já caiu de US$ 85 bilhões para US$ 65 bilhões por mês a dose de injeção de capital da autoridade monetária dos Estados Unidos nos mercados. O Brasil é justamente uma das economias mais afetadas por esses movimentos.

A má vontade dos investidores com a Petrobras se dá em função do alto custo de exploração e dos baixos níveis de produção que ela apresenta, o que a deixa em uma posição delicada. Em 2013, a empresa perdeu 54% de seu caixa, caindo de US$ 26 bilhões para US$ 12 bilhões. Nos últimos cinco anos, esse número chegou a US$ 50 bilhões. Contudo, em vez de tentar resolver o problema, a postura do governo, sempre preocupado com a eleição seguinte, vem sendo a de mascarar o problema, seja usando “contabilidade criativa”, seja inaugurando projetos inacabados.

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