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Alberto Youssef, o doleiro por trás das denúncias contra Lula, Campos, Marina e tantos outros

O doleiro é acusado de cometer o crime de evasão de divisas 3.649 vezes, e, segundo a Polícia Federal, seu dinheiro financia desde o tráfico internacional de drogas até o contrabando de diamantes de uma reserva indígena em Mato Grosso.

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Desde a morte de Eduardo Campos (PSB), cuja candidatura à presidência foi substituída pela de Marina Silva, tenta-se descobrir quem é o proprietário do avião Cessna que caiu em Santos. Suspeita-se que ele teria sido adquirido com recursos de caixa dois, e, durante a investigação, descobriu-se que uma empresa que transferiu dinheiro para a compra do jato também fez negócios com uma consultoria de fachada que seria controlada pelo doleiro Alberto Youssef.

Na operação para a compra do jato, a Câmara & Vasconcelos consta como tendo feito um pagamento de R$ 159,9 mil à AF Andrade para a aquisição do avião Cessna.

A empresa também aparece em documentos da Operação Lava Jato, aos quais a Folha  teve acesso, na relação de fornecedores que receberam dinheiro da MO Consultoria. O depósito foi feito em 2010 no valor de R$ 100 mil.

Alberto Youssef é, segundo ele mesmo, doleiro dos doleiros (“98% da minha clientela eram doleiros”). Fez fortuna investindo na atividade e envolvendo-se com políticos corruptos. De tempos em tempos, surge um escândalo envolvendo seu nome. Um dos maiores foi o do Banestado (Banco do Estado do Paraná), esquema pelo qual eram enviadas remessas ilegais de divisas para o exterior por meio do sistema financeiro público brasileiro – segundo o Ministério Público Federal, foram movimentados US$ 28 bilhões.

O Banestado foi a catapulta para Youssef se firmar como o maior doleiro do país. Ele saiu praticamente quebrado e se recuperou rapidamente. Hoje, todos os doleiros giram ao redor dele — afirma o então promotor Luiz Fernando Delazari, um dos primeiros a denunciá-lo, 10 anos atrás.

O doleiro é acusado de cometer o crime de evasão de divisas 3.649 vezes, e, segundo a Polícia Federal, seu dinheiro financia desde o tráfico internacional de drogas até o contrabando de diamantes de uma reserva indígena em Mato Grosso. Mas são as suas ramificações na política que preocupam os poderosos. Em 2004, fez uma delação premiada a fim de sair da prisão e prometeu abandonar a atividade.

Entregou os maiores doleiros do país e duas instituições que viriam a se tornar famosas no mensalão do PT: o Banco Rural e a corretora Bônus Banval. Um dos contatos de Youssef no Rural, segundo ele, era José Roberto Salgado, que se tornaria vice-presidente e seria condenado a oito anos de prisão no mensalão.

Em 2014, no entanto, durante uma investigação envolvendo outro doleiro de Brasília, Youssef foi descoberto de volta à antiga “profissão”, com um patrimônio ainda maior e uma nova rede de contatos que contava com nomes de políticos do PT, PP e PMDB.

Foram esses contatos políticos que levaram Youssef a tentar parcerias com o Ministério da Saúde, usando um laboratório quebrado, o Labogen, e até a tentar comprar um fornecedor da Petrobras, a EcoGlobal, logo depois de a estatal ter fechado um contrato de R$ 444 milhões com essa empresa do Rio.

E o trio PT, PMDB e PP, somado ao nome de Eduardo Campos (PSB) protagonizou no último fim de semana denúncias de pagamento de propinas a parlamentares e governadores, tudo com o conhecimento do então presidente Lula. A lista saiu de depoimento de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras, em investigação sobre desvios de verbas na Petrobras. Alberto Youssef mais uma vez seria o responsável pela distribuição do dinheiro do esquema que teria envolvido mais de 60 nomes graúdos ligados à base governista, inclusive os presidente da câmara, senado e república.

Há mais mistérios entre Brasília e a verdade do que julga a vã filosofia dos eleitores. Mas, aos poucos, todos apontam na mesma direção. Dificilmente o brasileiro verá de volta todo o montante desviado de doze anos de PT no poder. Mas se faz preciso que culpados surjam dessas investigações e suas penas ajudem a evitar equívocos futuros. A própria delação premiada negociada com Paulo Roberto Costa só foi possível quando o investigado se tocou que se tornava um novo Marcos Valério, o acusado do Mensalão que acumulou em si a maior parte da culpa, livrando os demais de penas mais severas. E houve quem reclamasse do peso da mão de Joaquim Barbosa.

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