Blog

Análise: a Operação Lava Jato acertou ao não pedir a prisão preventiva de Lula?

Resposta curta: sim.

Uma das marcas da Operação Lava Jato é a quantidade de prisões preventivas e temporárias, aquelas cujas justificativas, entre outras, se dão pela preservação de provas que poderiam ser destruídas, evitar que o réu cometa novos crimes, entre outros motivos. Desse modo, a lista dos que foram encarcerados por tal fundamento é bem longa.

Lula, porém, não foi. E então surgem várias críticas, no geral partindo de pessoas indignadas, mas também leigas na parte processual e, mais ainda, quanto ao ponto de vista estratégico. Então, vale analisar o porquê de isso não ter acontecido.

Em primeiro lugar, haveria riscos judiciais, e corrê-los poria em situação delicada toda a Lava Jato. Isso porque, quando as coisas ficaram mais difíceis para Lula, ele foi nomeado Ministro e, como tal, passou a ter Foro Privilegiado. Assim, qualquer decisão àquela altura levaria as coisas ao STF e, bom, todos podem imaginar o quanto as coisas poderiam ficar piores.

Mas há mais: desde sempre, a força-tarefa tem tido coordenação estratégica formidável, sobretudo quanto à parte da comunicação. Eles sabem que tanto a opinião pública quanto a da mídia podem pesar e influenciar nos rumos das coisas. Também sabem que há forças poderosíssimas contrárias ao que fazem.

Preferiram, portanto, seguir com o processo, sem suscitar comoções e também deixando que os fatos mostrassem tantos outros também investigados, afastando qualquer teoria de perseguição exclusiva ou algo do tipo.

Eventual pena privativa de liberdade, agora, só ocorreria após confirmação por segunda instância de eventual sentença condenatória.

Optaram pela cautela. E foi a opção correta.

Notícias Recentes

To Top