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Apesar da “contabilidade criativa”, governo amarga números cada vez piores

A expectativa de crescimento do PIB já está abaixo de 1%, o desempenho da indústria segue caindo, a avaliação da presidente cai até onde seus votos estavam mais consolidados e pesquisas de voto já apontam um empate num possível segundo turno entre Dilma e Aécio Neves.

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A expectativa de crescimento do PIB brasileiro em 2014 caiu pela oitava semana consecutiva, ficando abaixo de 1% pela primeira vez. Segundo o boletim Focus, do Banco Central, o crescimento está estimado em apenas 0,97%.

A revisão para o PIB acompanha a redução nas projeções para a produção industrial. Agora, os analistas esperam contração de 1,15% nesse setor, ante queda de 0,90% na semana passada. Há um mês, o mercado via o PIB crescendo 1,16% e a produção industrial caindo 0,16%.

O mau desempenho econômico do Brasil tem custado caro a Dilma, tanto que, na expectativa de sua queda, as ações das estatais sempre se valorizam quando pesquisas de intenção de votos são divulgadas. Desde fevereiro, a presidente vem caindo gradativamente e, segundo o último levantamento da Datafolha, há empate técnico entre ela e Aécio Neves, candidato do PSDB, em um possível segundo turno – 44% contra 40%, respectivamente.

Alguns dados específicos ajudam a compreender as dificuldades da campanha petista – que, duas semanas após o início do período eleitoral, ainda não foi às ruas. O cenário é pior nas grandes cidades, que normalmente antecipam tendências gerais do eleitorado. Nos municípios com mais de 500.000 habitantes, a avaliação positiva do governo passou de 30% para 25% do eleitorado. Os que rejeitam a gestão de Dilma agora são 37%, ante 31% no último levantamento. Ela perderia as eleições nessas cidades, assim como nos municípios que têm entre 200.000 e 500.000 moradores.

Até mesmo no Nordeste, conhecido reduto petista, houve queda nas intenções de voto – de 55% para 49% –, e, considerando uma disputa com Aécio no segundo turno, Dilma perderia em três das quatro faixas de renda consideradas pelo Datafolha.

Ela venceria apenas entre os eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, onde ela perdeu três pontos percentuais na última pesquisa. Dilma também é derrotada no segundo turno entre os eleitores escolaridade de nível médio ou superior. Venceria somente no grupo que estudou até o ensino fundamental.

Segundo analistas ouvidos pelo Globo, a Copa do Mundo maquiou a realidade durante a competição, dando uma sensação de melhora do governo, mas, agora que a população voltou a enfrentar os problemas do dia a dia, a insatisfação retornou.

— O que vemos é a classe média dos grandes centros urbanos voltando à realidade, enfrentando caos no trânsito, assalto na porta de casa e aumento nos preços nas prateleiras. Apesar de essa culpa não ser exclusiva do governo federal, o crescimento dessa insatisfação hoje nada mais é do que o preço das inúmeras promessas que foram feitas e, até agora, não foram cumpridas — afirma o analista político e professor do Insper-SP Carlos Melo.

Não deixa de ser irônico que justamente o governo que defendia o uso do que chamava de “contabilidade criativa” esteja sofrendo cada vez mais com números pouco louváveis. É de se perguntar como estaria a aprovação de Dilma e sua trupe caso não tivessem manipulado tantos índices de forma a esconder a realidade dos brasileiros. Contudo, com ou sem planilhas que os defendam, o bolso do brasileiro sabe onde aperta. Tanta insatisfação independe do que diz o ministro da economia e se reflete cada vez mais nas intenções de voto. Ao contrário do que prega o atual discurso da presidente, o problema do país talvez não esteja no grito dos pessimistas, mas no falso otimismo daqueles que tentam defender um governo sem rumo, atrasando cada vez mais as medidas necessárias para o Brasil voltar à linha.

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