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Após denúncias de corrupção na Petrobras, Aécio ataca, Dilma se defende e Marina se diz vítima

Escândalo do Petrolão (como vem sendo apelidado), a exemplo da morte de Eduardo Campos, mexeu mais uma vez com as estratégias das campanhas dos principais partidos.

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Após o acidente que matou Eduardo Campos e o lançamento da candidatura de Marina Silva em seu lugar, o cenário das eleições foi completamente alterado, o que levou todos a reverem seus direcionamentos. Agora, com a delação de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, as campanhas foram novamente obrigadas a reavaliar suas estratégias, já que nomes do PT e o do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos estão entre os denunciados.

A presidente Dilma Rousseff orientou neste domingo, 7, sua equipe a blindar o governo e sua campanha das denúncias de Costa. A ordem no Palácio do Planalto é sugerir “desespero” e interesses ocultos por trás das acusações, sem entrar no mérito de cada uma delas.

A campanha da presidente mudou até mesmo seu comando, que agora é coordenado pelo ministro Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário).

A entrada de Rossetto dilui o poder de [Rui] Falcão, que integra o campo majoritário do PT, do qual faz parte também o tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto, também envolvido por Paulo Roberto Costa no suposto esquema de recebimento de propina da Petrobras. A entrada de Rossetto, além de mudar o comando político e estratégico da campanha, tenta demarcar melhor a distância de Dilma em relação a Vaccari.

Enquanto isso, Aécio Neves, candidato do PSDB, buscou não aliviar. Afirmando que a “Petrobras se transformou numa organização criminosa“, classificou o caso como vergonhoso e defendeu uma investigação aprofundada das denúncias a fim de punir os responsáveis.

“Não podemos agora tapar o sol com a peneira.” Conforme o candidato do PSDB a presidente, “o Brasil acordou perplexo hoje com a gravidade das denúncias em relação à Petrobras”. “Na verdade, estamos frente ao mensalão 2. Dinheiro público sendo utilizado para sustentar um projeto de poder”, afirmou.

Para tentar se desvincular das denúncias, Marina Silva colocou-se em posição de vítima, e, a exemplo de Dilma, adotou um discurso acusatório, afirmando que sofre uma campanha de calúnia e difamação por parte de PT e PSDB, que tentam desconstruir a sua imagem.

“Eu encontrei no interior da Bahia, no Rio Grande do Sul, no Acre e em qualquer lugar desse país: PT e o PSDB juntos, numa campanha desleal, que afronta a inteligência da sociedade brasileira, fazendo todo o tipo de difamação, de calúnia, de desconstrução do nosso projeto político e até mesmo da minha pessoa”, criticou Marina, durante coletiva na sede de seu comitê de campanha, em São Paulo.

Mas o próprio conselheiro de Marina Silva, Eduardo Giannetti da Fonseca, já afirmou que, em caso de eleição, ela procurará pessoas do PT e do PSDB para formar sua equipe de governo e garantir apoio a seus projetos no Congresso.

Para Giannetti, até os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso poderiam colaborar. “Se [José] Sarney, Renan [Calheiros] e [Fernando] Collor [de Mello] vão para a oposição, com que se governa e com quem se negocia? É com Lula e FHC.”

Queiram os brasileiros ou não, como bem vem definindo Josias de Souza em suas colunas, as eleições findam se resumindo em “gincanas publicitárias”. Independente do que é melhor para o futuro do país, pesará bastante na decisão de outubro uma estratégia bem acertada. Foi um bom trabalho do marketing do PT que conseguiu reeleger Lula mesmo após o estouro do Mensalão em 2006. Trabalho ainda mais certeiro garantiu o primeiro mandato de Dilma. É na competência de João Santana que o PT ainda mantém as esperanças de virar o jogo contra Marina. É nos erros do PT que Aécio Neves ainda tenta garantir sua presença no segundo turno.

Fato é que, nesses dois meses de campanha, como era de se esperar, as mudanças na corrida pela sucessão presidencial fora mais intensas do que tudo que aconteceu nos últimos 4 anos, mesmo com os protestos de junho de 2013. E este último mês, a exemplo de campanhas anteriores, tem tudo para apresentar oscilações ainda mais notáveis. Segue o jogo.

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