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Aprendendo futebol com Dilma Rousseff

A presidente Dilma elogia o Atlético-MG e conta como assistia futebol no Mineirão na sua infância. A matemática é clara: Dilma está mentindo.

dilma anastasia mineirão

A presidente Dilma Rousseff enalteceu a atuação do Atlético-MG conquistando sua primeira Taça Libertadores da América.

Nossa presidente é torcedora do colorado Internacional, do RS, mas em uma demonstração de respeito aos atleticanos mineiros, por pura admiração e sem tratá-los apenas como uma massa de potenciais eleitores burros que compram qualquer lorota em troca de votos, elogiou, como relatou o UOL:

“O Brasil acordou alvinegro com o título do meu querido Clube Atlético Mineiro de campeão da Taça Libertadores. Aprendi a gostar de futebol indo, ainda criança, ao estádio do Mineirão assistir aos jogos do Atlético.”

Nosso amigo Cedê Silva, que fala mineirês semi-fluente, relembrou:

Nascimento de Dilma: 14 de Dezembro de 1947
Inauguração do Mineirão: 5 de Setembro de 1965
Idade de Dilma na inauguração: 17 anos

Desnecessário lembrar que Dilma, filha da classe média alta mineira, que tomava chá da tarde numa mesa cercada por três empregadas vestidas à francesa, se iniciou nas idéias socialistas logo após o golpe de 1964.

Nesse ano, um antes do estádio do Mineirão existir, Dilma prestou concurso e ingressou no Colégio Estadual Central (atual Escola Estadual Governador Milton Campos), tendo já ingressado na Política Operária (POLOP), braço armado do Partido Socialista Brasileiro. Foi nessa escola em que, de acordo com a própria Dilma, ficou “bem subversiva” e que percebeu que o mundo não era para “debutante”.

A POLOP racharia pouco depois, entre os que preferiam convocar uma assembléia constituinte e quem preferia a luta armada. Dilma foi para o lado da luta armada, do lado que fundou o Comando de Libertação Nacional (COLINA).

Mandona a ponto de posteriormente usar como um de seus codinomes “Mônica”, a personagem criada por Maurício de Souza, igualmente gorducha, brava e chefe da turma, Dilma Rousseff se destacava na liderança, mas suas ações na luta armada eram até de baixo escalão: até 1969, com pouco dinheiro e poucas armas, sua ficha corrida resumia-se a quatro assaltos a bancos, alguns furtos de carros e dois atentados a bomba, que não fizeram vítimas.

Em 1969, quando o estádio do Mineirão completaria 4 anos em setembro, Dilma já estaria na violentíssima VAR-Palmares. O promotor que denunciou a organização chamou Dilma de “a Joana d’Arc da subversão”. O militante Darcy Rodrigues, braço direito de Carlos Lamarca, diz que ela era ligação entre os comandos nacional e regionais.

Foi nessa organização em que Dilma teve participação no roubo do cofre do “Dr. Rui” – o codinome que o governador de São Paulo Ademar de Barros usava para se referir à sua amante. Em 18 de junho de 1969, a VAR-Palmares subtraiu do cofre o equivalente a 2,5 milhões de dólares. Dilma, a “gringa” e quem falava melhor inglês, ficou encarregada de se passar por estrangeira para converter alguns dólares para moeda nacional, além de pagar salários de militantes, encontrar abrigo para o grupo e comprar um Fusca.

dilma chutando bolaDilma sempre apelou para o esquecimento nacional (aposta corretíssima), afirmando “lembrar-se” apenas de comprar o automóvel. A história e o destino do dinheiro são relatados no livro O Cofre Do Dr. Rui – Como A Var-palmares De Dilma Rousseff Realizou O Maior Assalto Da Luta Armada, de Tom Cardoso.

Colocado no contexto histórico correto, o Mineirão foi inaugurado apenas 2 anos antes de Dilma se casar e 7 anos antes de Dilma se mudar para Porto Alegre, quando já tinha sido presa por dois anos e um mês, participado de ações terroristas e logo engravidaria. Castelo Branco, o primeiro presidente militar, já estava no poder há mais de 1 ano.

A presidente Dilma, é claro, talvez só esteja mesmo é tendo alguns lapsos de memória. Nunca contaria mentiras tão doidas apenas para marcar algum sentimentalismo diante de eleitores mineiros – por sinal, o estado de onde provavelmente vem um de seus principais adversários nas próximas eleições.

Os eleitores talvez não saibam mesmo o que exatamente é abuso de um cargo público para se reeleger. É mais difícil do que parece explicar que uma figura pública do porte de Dilma Rousseff esteja usando de seu cargo, técnico, para se promover pessoalmente e fortalecer seu projeto de poder usando o Estado. Talvez seja complicado explicar que esse Estado, a entidade que só age obrigando e proibindo, nunca pedindo licença, e usando o nosso dinheiro, comporta, na verdade, funcionários nossos – o que Dilma Rousseff é, uma funcionária do Brasil, não alguém por quem devemos trabalhar para lhe dar poder.

É confuso para a mente do povo, que simplesmente vê repetidamente uma presidente na TV, e só verá seus adversários nos enfadonhos horários eleitorais, que duram um mês. Mas talvez também seja muita pretensão e arrogância tratar todo eleitor como gado eleitoral, parvo demais para perceber quando um presidente mente para tratar seus eleitores como votos trouxas.

Talvez, quem saiba, devamos começar a evitar políticos que mentem tão descaradamente não apenas não os reelegendo, mas com punições públicas durante seu próprio mandato.

Hilary Clinton, a despeito do sobrenome, não conseguiu vencer as primárias sobre um fraco Barack Obama por ter feito coisa parecida: afirmou que desembarcou na Bósnia sob um forte tiroteio, quando imagens a mostraram descendo do avião calma e placidamente.

E o que fizemos até agora com Dilma Rousseff, que, só nesse ano, “acabou com a miséria” dando R$ 2 aos pobres, impediu projeto para cortar impostos da cesta básica e depois o vendeu como bondade pessoal ao povo (e ainda tornou a cesta básica mais cara ao invés de mais barata), culpou o povo e as chuvas pelas mortes no RJ, se hospedou em hotel cuja diária custa até 7,5 salários mínimos, fazendo com que até um jornal espanhol se assustasse com o quanto torra dinheiro do brasileiro (jornais acostumados com as malgastações do rei Juan Carlos) e dando como resposta ao povo afirmar que suíte presidencial de 81 m² é “acanhada” e impor sigilo sobre seus gastos no exterior?

Pelo benefício da dúvida, Dilma pode mesmo estar tendo problemas com a memória. Basta lembrar de outra importante contribuição do pensamento dilmístico ao futebol, quando novamente tentava se eleger:

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