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Arrogância brasileira: os biscoitos “Globo” e a moça que se recusou a falar inglês

Não é louvável tratar mal um turista estrangeiro, nem é uma ofensa à pátria alguém desgostar de determinado biscoito de polvilho. Devemos ter foco no que realmente importa!

É preciso admitir que, em muitos casos, chamam de “amor à pátria” o que não passa de pura arrogância caricata com aspectos de bairrismo. E nestes últimos dias dois episódios acabaram servindo para retratar bem uma parte deplorável dessa mentalidade. Vamos a eles.

Primeiro, o caso da moça que se vangloriou por não responder a um estrangeiro no idioma inglês. Resumo: no Rio, por conta da Olimpíada, ele perguntou sobre uma estação de metrô, usando a língua inglesa, e ela rebatia em português. Bom, normal, certo? Nada. Ela alegou que sabe muito bem falar o outro idioma, mas disse que no Brasil não admitiria fazer isso. E houve muita gente aplaudindo.

Agora, o segundo: um colunista de jornal estrangeiro falou que os biscoitos de polvilho da marca Globo, verdadeira tradição das areias cariocas, não são lá essas coisas. Não encontrou o grau de sofisticação gastronômica que alegaram, nem viu na ingestão dos acepipes qualquer transcendência ou ritualística que justificasse o mito. Claro, quase saiu uma mini-guerra.

Por partes.

Não, não é nada louvável deixar de responder a um turista. E, também não, não é uma ofensa aos símbolos pátrios uma pessoa não considerar um determinado biscoito de polvilho a maior iguaria da Terra.

Sim, muitos reagiram de forma irônica nos dois casos, mas o que perturba são aqueles que reagiram seriamente; com alegria ufanista no primeiro e com ódio nacionalista no segundo. E é nessa hora que devemos pedir calma, sugerir a respiração mais profunda e pausada ao interlocutor e talvez receitar a famosa “água com açúcar”, de eficácia cientificamente inócua, mas simbolicamente forte.

Menos, não é mesmo? Menos, menos…

Temos problemas reais aos montes, temos uma economia que foi esfacelada e talvez não consiga recobrar-se em curto prazo. Não há porque tratar mal o turista estrangeiro que aqui vem de boa-fé e de forma pacífica, nem porque reagir com fúria porque alguém não foi muito com a cara de um biscoito.

E, por fim, também evitar brigas pelo embate biscoito x bolacha. Foquemos no que importa, porque há muita coisa importante a ser feita e debatida.

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