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Assessor de Marina propõe o aumento da meta da inflação como solução para a alta de preços

A exemplo do atual ministro da fazenda, a equipe da candidata cogita manipular índices nos quais o país não consegue se encaixar

dilmamarina

O economista Alexandre Rands, da equipe que assessora Marina Silva, propôs que a candidata aumentasse a meta oficial da inflação para o próximo ano a fim de acomodar os reajustes de preços no início de um possível mandato seu como presidente.

A ideia foi lançada pelo economista Alexandre Rands e não faz parte da plataforma da candidata, mas deverá ser discutida internamente nos próximos dias. Ela foi apresentada em público pela primeira vez em evento organizado pelo Bank of America/Merrill Lynch na segunda-feira (8), em São Paulo, que reuniu 500 investidores e executivos do mercado financeiro.

Essa meta é uma estimativa feita pelo governo para que a população saiba o que esperar dos preços dos produtos. Atualmente, ela é de 4,5%, com margem de tolerância de 2% para cima ou para baixo, mas vem sendo mantida sempre próxima ao limite máximo.

A fim de impedir que ela não ultrapasse a tolerância, o governo vem manipulando preços de produtos-chave, como energia e gasolina. Técnicos já pensaram até mesmo em tirar alimentos como tomate e chuchu do cálculo do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) para que este não fosse impactado pelas altas desses produtos. Essa manipulação deverá provocar um aumento de preços de aproximadamente 8% em 2015.

— Energia e gasolina terão o maior peso no aumento dos preços administrados. O da gasolina está defasado, mas não acreditamos em reajuste este ano, por causa da impopularidade da medida. Mas em 2015, nossa previsão é de aumento de 10% nas bombas e 15% nas refinarias. Para a energia, de 17% — explica Adriana Molinari, analista de inflação da consultoria Tendências.

Por muito tempo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, dono de um desempenho tão insatisfatório que sua demissão está entre as promessas de Dilma para um possível segundo mandato, negou que a inflação estivesse alta. Mas, com o baixo crescimento do PIB, acabou admitindo que ela provocou a queda no consumo das famílias.

“Tivemos um crescimento da massa salarial de 4% nos últimos doze meses, e isso nos dá um potencial de consumo que está sendo segurado pelos juros bancários caro e escasso”, disse.

Todavia, a se confirmar os números das pesquisas, Mantega tem tudo para deixar sua “contabilidade criativa” de legado para a equipe econômica de Marina. Diante da incapacidade de fazer com que o país funcionasse de forma a não temer qualquer índice, preferiu manipulá-los. A alteração da meta cogitada pela assessoria de Marina soa como uma versão 2.0 da malandragem. E a “nova política” proposta pela atual líder nas pesquisas caminha para se concretizar como uma nova dosagem de “mais do mesmo”.

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