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Belo Monte gastará mais com juros do que com preservação

A construção da usina custará cerca de 100 mil reais a mais em juros bancários do que o previsto em ações para reduzir o impacto socioambiental da obra. A empresa ainda incluiu nessa conta gastos que aparentemente não têm nenhuma relação com o meio-ambiente. A notícia é da Folha de S. Paulo, por João Carlos Magalhães:

A empresa que construirá a usina de Belo Monte gastará mais com os juros de empréstimos do que com as ações para suavizar os impactos socioambientais da obra no rio Xingu (PA).

A informação consta em um orçamento, enviado em março deste ano pela Nesa (Norte Energia S.A.), empreendedora da hidrelétrica, ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

De acordo com o documento, a Nesa prevê pagar R$ 3,8 bilhões de juros durante a construção.

Dos R$ 27,4 bilhões que a usina custará no total, dado citado no orçamento, ao menos R$ 20 bilhões devem vir de empréstimos conseguidos junto ao BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social).

O dinheiro será liberado após a empresa conseguir junto ao Ibama a chamada licença de instalação, que autoriza o início da obra.

Esse custo financeiro é mais de R$ 100 milhões superior aos R$ 3,7 bilhões que a empresa afirma prever gastar com “terrenos, relocações e ações socioambientais”.

Na descrição da conta, há definições abrangentes sobre as ações em que o montante será investido.

GASTOS PREVISTOS

O maior gasto único nesse campo, de R$ 1,4 bilhão, é com um conjunto de ações chamado “meio socioeconômico cultural”.

Ele aglomera desde os gastos com “comunidades indígenas e/ou outros grupos étnicos”, de R$ 112,5 milhões, até “apoio aos municípios”, de R$ 745,8 milhões.

Dentro dos R$ 3,7 bilhões a Nesa inclui também custos com a aquisição de áreas para a construção de canteiros, a criação do reservatório e os gastos com as relocações de estradas e ferrovias.

A Folha perguntou à Nesa como essas últimas ações se relacionam à recuperação dos danos ao ambiente, motivo primordial das críticas à usina. A empresa disse que não comentaria.

Para o Ministério Público Federal no Pará, que contesta a hidrelétrica na Justiça, o problema do documento é que ele é genérico e não explica como esses gastos vão ocorrer ao longo do tempo.

Essa indefinição, segundo a Procuradoria, é mais grave diante da expectativa de que a licença seja concedida nas próximas semanas.

Nesta semana, os procuradores voltaram a recomendar que não seja autorizado o início da obra antes que as condições impostas pelo próprio Ibama estejam cumpridas.

(grifos nossos)

Comentário

Nem caberia aqui uma opinião contra ou a favor da construção da usina. O problema, a exemplo da obra da usina de Jirau, é como ela está sendo tocada.

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