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Brasil, Argentina, Venezuela e Equador: o esquerdismo sul-americano em crise

Como governadores populistas estão destruindo as economias dos países mais ao sul da América

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Na mais recente polêmica, numa cena que remetia a um suicídio, surgiu morto Alberto Nisman, um promotor federal que estava prestes a apresentar no Congresso denúncias acerca da cobertura da presidente Cristina Kirchner à ataques terroristas ocorridos em Buenos Aires. As primeiras falas oficiais já se apressam a confirmar a versão de que o próprio falecido, que dizia sofrer ameaças de morte, teria disparado a arma de calibre 22 contra a cabeça, mas mais de dois terços dos argentinos não acreditam nessa leitura dos acontecimentos.

Contudo, está longe de ser esta a única crise enfrentada pela presidente do país vizinho. Depois de tecnicamente dar mais um calote em seus credores, abusou do protecionismo e viu a Argentina incapaz de substituir as importações. O ano começou com os vice-campeões mundiais de futebol enfrentando uma crise de desabastecimento, com falta de autopeças, produtos químicos, livros, remédios e diversos insumos industriais no mercado. Uma realidade que ao menos um outro parceiro bolivariano conhece bem.

A crise venezuelana completa seu primeiro ano de vida com quase 40 mortes em seus protestos e cenas que espelham o fundo do poço econômico o qual o chavismo reservou ao país. Se em 2014 a violência parecia ser a gota d’água para a população, o desabastecimento tão recorrente no “socialismo do século XX” volta em 2015 para mostrar que não é fruto do embargo de nenhuma nação inimiga, mas de ideias que fazem vista grossa a conceitos básicos de economia. Nas imagens, venezuelanos fazem gigantescas filas nos mercados e exibem os braços numerados, sempre com o receio de expor o rosto.

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Com o preço do barril de petróleo em queda, a fonte que ainda dava algum sustento à gestão de Maduro começou a secar. A solução, a exemplo do que ocorria no século anterior, foi buscar empréstimos junto a gigantes vermelhos no outro lado do planeta. Como a União Soviética não mais existe, a bola da vez foi a toda poderosa China. E assim, acompanhada do também bolivariano Equador, a Venezuela voltou do oriente ao menos 27,5 bilhões de dólares mais endividada. Quem precisa de FMI quando se pode recorrer a uma ditadura comunista?

Reeleito ainda no primeiro turno no início de 2013, Rafael Correa viu em 2014 o crescimento PIB do Equador cair a zero após uma expectativa de 2,5%. Para este ano, as notícias seguem desanimadoras. O déficit em conta corrente deve subir de 1,5% para 8% do Produto Interno Bruto. Quanto ao déficit fiscal, deve ir de 5% para 10%. Com a economia amarrada ao dólar, a solução para ajustar as contas do país vem sendo o corte de gastos, mesmo que envolva prejuízos aos servidores públicos, que findaram perdendo um reajuste de 5% nos salários.

Porque o esquerdismo vem sendo contido por uma base aliada que pouca afeição ideológica mantém com o PT, o brasileiro só aos poucos passa a ter contato com os efeitos colaterais do “bonde do esquerdismo sem freios”. O desabastecimento não surge aos moldes do ocorrido no governo Sarney, mas fato é que o Brasil sofre com escassez de água e, por consequência, de energia. Se há um fator natural que impõe esta seca por cá, há também a imprudência de um governo que, diante de crises como a de 2008, quando o sensato seria sugerir cautela e contenção de gastos, estimulou ao máximo toda forma de consumo. No curto prazo, a medida garantiu um 2010 com crescimento a 7,5% (o maior desde, vejam só, o Plano Cruzado do hoje aliado Sarney) e a eleição de Dilma para dar continuidade ao trabalho de Lula. No médio, o caos. A população segue endividada, o país enfrenta ondas de protestos, a inflação estoura o teto da meta, a violência cresce, as contas não fecham e a corrupção explode. Até a falácia do desemprego baixo já vem fraquejando diante de algumas manchetes.

Houve um esforço para negar o óbvio após as últimas eleições, mas o fato é que o Brasil encontra-se dividido. Há uma metade que percebeu não só a repetição de erros passados, mas o padrão de equívocos cometidos ao sul da América e achou por bem dizer não à continuidade do governo petista. E há uma outra metade – com leve vantagem numérica – custando a aceitar a verdade que até o PT já vem reconhecendo internamente (e às vezes externamente): a de que o partido errou e precisa mudar. O problema é que o custo de tanto erro é caro, muito caro. E a conta será paga por ambas as metades, independente dos votos que depositaram nas urnas.

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