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Caso da amante de FHC: um tiro que pode sair pela culatra de quem hoje se aproveita da história

A militância, desesperada, parte para a apelação total. Mas talvez se esquecendo de que a maré pode virar.

Observação preliminar: esta pauta, criada para desviar a atenção, agora se tornou ainda mais inócua. Com a prisão do marqueteiro das campanhas de Lula e Dilma, bem como a reversão no CNMP da liminar que ajudaria o ex-presidente, o teor deste post se torna meramente argumentativo. Os fatos já derrubaram tudo. Mas sigamos…

O ex-presidente FHC teve um caso extraconjugal e sua então amante teve um filho, que ele reconheceu/registrou e pagou as despesas durante anos. O caso nunca foi um segredo, chegando a ganhar capa de revistas de esquerda, mas agora uma das partes resolveu romper o silêncio. Um direito, sem dúvida, ainda que se especule as motivações. E a militância resolveu jogar sujo com isso.

Embora repugnante, é “compreensível” o comportamento, já que esse pessoal está acuado diante de tantos escândalos. São meses e meses com Lava Jato, prisões, buscas, apreensões, triplex, sítio… Inúmeros casos surgindo dia após dia. Precisaram, portanto, agarrar-se a esse drama íntimo/pessoal como se fosse um escândalo público/político.

Mas claro que não é nada. Ao menos, nada a ser usado politicamente.

Sim, um ex-Presidente da República teve uma relação fora do casamento. Sim, teve um filho. Mas, também sim, ele o assumiu, registrou e inclusive manteve tal circunstância mesmo após os exames de DNA negarem que ele fosse o pai. Houve DINHEIRO PÚBLICO nisso? Não há indícios. Caso houvesse, aí sim, seria algo minimamente digno de debate. Mas como tudo aconteceu na esfera privada, é apelação pura e simples. O jogo sujo de sempre.

Mas a exploração desse fato pode acabar explodindo no colo de vocês-sabem-quem. Isso porque, até anteontem, o termo “amante” era proibido. Quem não se lembra de um caso recente, envolvendo outro líder…? Pois é! E nenhuma reportagem ou coluna trazia essa expressão. Era uma “amiga”, no máximo. Falavam por alto das viagens, de alguns detalhes mais íntimos, mas tudo de forma quase protocolar.

Esse outro caso, porém, é realmente grave, pois envolve cargo público, agências reguladoras, nomeações… Além do componente íntimo/pessoal que de fato não deveria nem ser pauta, mas agora foi aberto o precedente.

O pessoal que hoje chafurda na história íntima de FHC não poderá amanhã reclamar caso a “amiga” de determinado líder passe a ser enfim chamada de amante. Na verdade, nem terão tempo para ficar indignados com detalhes menos relevantes, especialmente considerando os aspectos verdadeiramente complicados dessa história (vale repetir: cargos públicos, nomeações, agências reguladoras etc.).

FHC - Amante

Enfim, tudo que a política brasileira menos precisava, a essa altura, era exploração também de dramas íntimos. Mas mesmo esse tiro também tem tudo para sair pela culatra de quem agora puxa o gatilho.

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