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Caso Siemens: do nonsense ao patético

Folha de SP usa cinco jornalistas (sério) numa “acusação” desmentida pela própria reportagem que se pretendia acusatória

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Amigos petistas, todos sabemos, é difícil. A situação de vocês é complicada, especialmente depois da condenação de líderes que são ainda mantidos no partido – na diretoria ou em comissões da Câmara. E tem dólar na cueca, tem a Rose (espécie de primeira-dama extraoficial), o Celso Daniel.

Então apareceria agora um escândalo implicando seus inimigos! Maravilha! A chance de dizer, finalmente, “somos todos iguais”! Mas faiô. Fez água. Deu chabu. Flopou. Já expliquei o teor da coisa, vocês ficaram bravos, mas sabem que não há como negar a inocuidade do “escândalo”.

Mas, em vez de recolher os rojões e enfiar a viola no saco, resolvem partir para o surrealismo. A sempre parceira Folha de São Paulo soltou uma reportagem (a dez mãos!) que finalmente daria chance para alguma comemoração. Porém… Pois é, porém chega a ser bizarra.

Vejamos trechos:

“Executivo afirma que Serra sugeriu acordo em licitação – O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) sugeriu à multinacional alemã Siemens um acordo em 2008 para evitar que uma disputa empresarial travasse uma licitação da CPTM, de acordo com um e-mail enviado por um executivo da Siemens a seus superiores na época. A mensagem relata uma conversa que um diretor da Siemens, Nelson Branco Marchetti, diz ter mantido com Serra e seu secretário de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, durante congresso do setor ferroviário em Amsterdã, na Holanda. Na época, a Siemens disputava com a espanhola CAF uma licitação milionária aberta pela CPTM para aquisição de 40 novos trens, e ameaçava questionar na Justiça o resultado da concorrência se não saísse vitoriosa (…) Os documentos examinados pela Folha não contêm indícios de que Serra tenha cometido irregularidades, mas sugerem que o governo estadual acompanhou de perto as negociações entre a Siemens e suas concorrentes (…) Na licitação dos trens, as negociações da Siemens com a CAF não deram resultado. A Siemens apresentou recursos administrativos e foi à Justiça contra a rival, mas seus pedidos foram rejeitados. A CAF venceu a licitação e assinou em 2009 o contrato com a CPTM. A empresa espanhola executou o contrato sozinha, sem subcontratar a Siemens ou outras empresas” (grifos nossos)

E a conclusão da própria Folha (que, pra variar, vez um “infográfico” para tentar dar algum respaldo de seriedade à reportagem):

folha_infografico

É mole?

TODA a base seria um email enviado por um executivo da Siemens a seu chefe (e tudo vazado pelo CADE, cujo presidente é ligado a Gilberto Carvalho). O executivo alega que teria havido um acordo, mas… NÃO HOUVE. A empresa NÃO GANHOU e NEM PARTICIPOU DO CONTRATO – chegou a entrar com recursos.

A Folha de São Paulo precisou de CINCO jornalistas (em duas cidades diferentes!) para fazer essa maravilha, algo patético demais até para os mais aloprados blogueiros progressistas.

Como não houve nada e a Siemens PERDEU a licitação, não sendo nem mesmo subcontratada, os jornalistas (cinco!) chegaram à conclusão de que HOUVE “negociações”, mas “não deram certo”.

Burrice tem limite, não é mesmo? Isso é pura má-fé. E uma má-fé que, curiosamente, serve como uma luva aos interesses do PT – já procurado pela própria Folha para “comentar a reportagem”.

Enfim, foi o que restou de um “escândalo” que apareceu nos boatos como devastador e agora não fica em pé nem com a ajuda de um jornal camarada – que destacou cinco profissionais de duas cidades diferentes para fazer essa lambança.

De fato, esse período de véspera do julgamento final das condenações do Mensalão tem provocado situações atípicas, curiosas, mas especialmente constrangedoras. Alguns vão dizer que “é do jogo”.

Mas que jogo deprimente, não?

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