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A sabatina de Chalita

O candidato do PMDB Gabriel Chalita inaugurou ontem a série de sabatinas do UOL com os postulantes à prefeitura de S. Paulo. Aproveitamos a ocasião para relembrar o histórico do candidato.

Na sabatina, Chalita prometeu dar um jeito na “bagunça administrativa” da administração Kassab com uma “gestão moderna”. Então vejamos a obra dele como secretário da Educação no primeiro governo Alckmin (2003-2007):

Escolas estaduais não dispunham de currículo unificado

Em entrevista à Folha de S. Paulo em 2008, sua sucessora na secretaria da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, conta como eram as escolas estaduais paulistas na gestão de Chalita. Confiram apenas a introdução:

Autonomia das escolas gerou queda na qualidade do ensino

Secretária estadual de Educação diz que a desorganização pedagógica deve ser sanada com a adoção de currículo comum à rede; segundo ela, Grande SP precisa de R$ 1,5 bilhão 

PROFESSORES QUE NÃO se fixam nas escolas. Liberdade excessiva aos colégios. Recursos insuficientes para infra-estrutura e salários. (…)

Caso das parabólicas / Canal do Saber

O então secretário Gabriel Chalita também protagonizou o escândalo das parabólicas compradas para o “Canal do Saber”. Já falamos sobre este assunto aqui:

 

(…)

Não foi a primeira vez que suas “mensagens” edificantes passaram pelo fio da ética. Como Secretário da Educação, fez alarde em seu site, como puxador de votos do PSDB daquele ano, de ter criado o programa Canal do Saber, para passar conteúdo via satélite para 5.306 escolas públicas. Pequeno problema: R$ 4,08 milhões foram usados para compra de parabólicas, nunca entregues. O fato foi averiguado por auditoria interna da FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação) – não fora pelo PIG ou por manchetes sem lastro, portanto. (…)

Quatro processos no TCE

De acordo com o site Excelências, da ONG Transparência Brasil, o Tribunal de Contas do Estado considerou irregulares 4 atos de dispensa de licitação e contratos autorizados por Chalita.

Caso da desativação de escola estadual e UBS na Vila Nova Conceição

Como secretário estadual da educação, Chalita também aprovou o negócio feito pela gestão de Marta Suplicy (PT) nos últimos dias de mandato na prefeitura de S. Paulo em 2004 – e revertido posteriormente por seu sucessor José Serra (PSDB). Uma escola pública e Unidade Básica de Saúde (UBS) em área nobre seriam desativadas e o terreno, trocado por outro de valor menor na periferia. O jornalista Ricardo Setti abrodou o assunto em sua coluna em Veja Online:

(…)

Na vida real, a história era muito mais apimentada: no terreno pertencente à Prefeitura havia uma grande construção, de pé há 66 anos na época, onde funcionava (e graças a Deus
continua funcionando) uma escola pública do estado que atendia a precisos 1.492 alunos, a Escola Estadual Martim Francisco. Além disso, anexo a ela funcionava (e lá prossegue, felizmente) um centro de saúde (a Unidade Básica de Saúde Max Perlman), pertencente à própria Prefeitura, que tinha acabado de reformá-lo e reequipá-lo.

O negócio significaria a transferência do terreno para investidores, o desmanche puro e simples de uma escola pública – com o qual, inexplicavelmente, concordou a Secretaria Estadual de Educação, pilotada, aliás, pelo hoje candidato pelo PSB a deputado federal Gabriel Chalita – e, muito provavelmente, o fechamento do posto de saúde.

(…)

Febem

Antes da Educação, Chalita foi secretário estadual da Juventude, e cuidava da Febem. Reportagem da Folha de S. Paulo da época de sua gestão flagrou unidade com capacidade para 60 jovens abrigando até 600.

Chalita Acadêmico

Político multifacetado, outro aspecto interessante de sua biografia é o currículo acadêmico. Em fevereiro deste ano, a Folha de S. Paulo revelou que Chalita apresentou teses praticamente idênticas para concluir dois mestrados na PUC-SP, o famoso caso do “autoplágio”.

Chalita Deputado

Como deputado federal, Gabriel Chalita teve uma atuação discreta até aqui (ele pode retomar o cargo caso não seja eleito prefeito). Além das faltas em Comissões Permanentes e Especiais de que faz parte (30%), chama atenção a evolução de seu patrimônio entre as declarações de 2008, quando se candidatou a vereador, e 2010, para deputado, entregues à Justiça Eleitoral: variação – para cima, é claro – de R$ 5,33 milhões, ou 75,7%. (informações do Excelências)

Chalita Escritor

Na sabatina do UOL, Chalita demonstrou especial dificuldade em responder sobre a espantosa evolução de seu patrimônio pessoal desde que passou a ocupar cargos públicos. Embora as editoras não divulguem os números a pedido do autor-candidato, o candidato-autor alega ter vendido 10 milhões de exemplares de seus 63 livros, o que o colocaria à frente de autores como J.K Rowling, da série Harry Potter. Já falamos disso aqui.

A quantidade de obras deste prolífico autor também impressiona. Aos 43 anos, sua produção já supera as de Machado de Assis e Graciliano Ramos. Juntos. Suspeita-se que funcionários de seu gabinete o ajudem a redigir e revisar textos para seus livros.

Além de escrever, o menino Gabriel também já se aventurou no mercado editorial. Embora nunca tenha declarado a empresa em suas delcarações de bens, ele foi proprietário da Raiz Editora Ltda. entre 1994 e 2004. Questionado pelo Estadão sobre esta empresa em 2008, Chalita afirmou que ela “nunca gerou um tostão”, apesar de um de seus 63 livros ter sido lançado pela Raiz Editora.

Chalita Candidato

Até agora, a proposta mais inovadora de Chalita é dar R$ 30 milhões da prefeitura para Woody Allen fazer um filme sobre São Paulo, se eleito.

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