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Ciência sem Fronteiras traz de volta 110 bolsitas por deficiência em inglês

Os estudantes estão morando no Canadá e na Austrália desde setembro de 2013 e já custaram mais de 2,6 milhões de reais aos cofres públicos.

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Após lançar o programa Inglês sem Fronteiras a fim de que os interessados no Ciência sem Fronteiras aprendessem esse idioma – em uma aparente estratégia para alcançar a meta de 100 mil estudantes enviados ao exterior –, o governo Dilma Rousseff agora precisa lidar com o fracasso da iniciativa, já que pelo menos 110 bolsistas terão de voltar ao Brasil por falta de proficiência na língua.

Os estudantes estão morando no Canadá e na Austrália desde setembro de 2013 e já custaram mais de 2,6 milhões de reais aos cofres públicos — cada um deles recebeu 12.000 dólares, além de passagens aéreas e seguro saúde. Esse investimento não retornará ao país em forma de capacitação profissional e acadêmica, que seria a contrapartida do programa.

Esses alunos foram aprovados em edital para universidades de Portugal, mas o país foi excluído do programa em função do número de estudantes que já estavam lá sem dominar um segundo idioma. Dessa forma, 3.445 bolsistas foram obrigados a escolher outro país cuja língua não conheciam e acabaram, por culpa do próprio governo, desperdiçando verba pública – que, a propósito, foi desviada de outras áreas a fim de bancar o programa.

Os bolsistas convocados para voltar reclamam que a prova de certificação foi antecipada. De acordo com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão do MEC responsável pelo programa, os prazos foram respeitados. Em nota, a pasta diz que os testes começariam a ser aplicados “a partir de fevereiro de 2014”.

De uma forma ou de outra, o governo Dilma demonstra irresponsabilidade e arbitrariedade com relação aos programas, aos estudantes e ao dinheiro público. A duração de exatos 4 anos e a meta de 100 mil participantes, mesmo não havendo no Brasil essa quantidade de alunos com domínio de um segundo idioma, entregam os objetivos eleitorais da iniciativa. Por priorizar a propaganda em detrimento do benefício à nação, este, que tinha tudo para ser um grande projeto educacional, precisa encarar notas negativas como essa.

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