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Com Lula e Dilma, crescimento de produção da Petrobras cai de 8,6% para 1% ao ano

Apostando no desconhecimento dos eleitores, Dilma tentar comemorar a produção de 500 mil barris de petróleo ao dia. Mas a realidade é outra.

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A presidente Dilma Rousseff participou no dia 1º de julho da comemoração da marca de 500 mil barris de petróleo produzidos por dia no pré-sal. Em discurso, ela afirmou que “a Petrobras mostrou que o pré-sal é uma riqueza palpável, que é tangível, e, acima de tudo, que pertence ao povo brasileiro”, acrescentando que esse é um feito que fortalece a empresa e traz benefício para a população.

A comemoração e a exaltação desses números, no entanto, são apenas mais uma aposta do governo no desconhecimento de seus eleitores. Embora seja verdade que 500 mil barris são extraídos por dia, a realidade da produção de petróleo é outra.

A taxa de crescimento anual da produção da Petrobras entre 1980 e 2005 foi de 8,6%. Entre 2006 e 2014, ou seja, entre o segundo governo Lula e o de Dilma, foi de 1,0%. (Pior: a produção efetivamente  vem caindo 1,6% ao ano desde 2011).

E há ainda outro porém nessas informações: os sócios BG, Repsol e Petrogal possuem uma parcela desses celebrados barris, cujos ganhos não vão somente para a Petrobras. E a empresa, a despeito de todas as comemorações, continua vendo suas dívidas crescerem.

Após ser contratada para explorar campos do pré-sal – algo que já havia sido feito em 2010 de forma onerosa –, a empresa precisará pagar ao governo R$ 2 bilhões em bônus em 2014 e mais de R$ 13 bilhões entre 2015 e 2018, mas, segundo Marco Antônio Almeida, secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, o governo decidiu cobrar R$ 13 bilhões em petróleo porque a Petrobras não tem capital em caixa.

“Se a Petrobras tivesse capacidade financeira, nós iríamos cobrar os R$ 15 bilhões à vista”, disse. “Empresa nenhuma no mundo tem essa capacidade, o negócio é bom para a Petrobras”, ponderou.

Enquanto isso, o fantasma de Pasadena continua assombrando a empresa. O Tribunal de Contas da União (TCU) divulgou um relatório que indica que os gestores da Petrobras causaram um prejuízo de pelo menos US$ 126 milhões aos seus cofres.

O documento do TCU, obtido pelo GLOBO, cita ainda que a estatal declarou ter pago US$ 170 milhões pela metade de um estoque que não valeria US$ 66,7 milhões. Os auditores do TCU consideram que, no caso dos estoques, há indício de irregularidade na maneira como a Petrobras tratou do assunto. A estatal informou ao mercado que pagou os US$ 170 milhões por estoques de produtos que estavam na refinaria na época da compra. Mas, ao analisar os detalhes do contrato, os auditores dizem que essa cifra efetivamente paga e declarada ao mercado não tinha relação com os estoques. Era de outra natureza, fazia parte de ajuste de preço na transação comercial.

O público mais leigo e simpático ao governo federal pode até se empolgar com a propaganda petista, mas o mercado não costuma se enganar com jogos numéricos. Não à toa, sempre que uma pesquisa mostra uma possibilidade maior de mudança no comando do país, as ações da Petrobras sobem. Quando o governo volta a intervir no futuro da empresa, ocorre justamente o contrário.

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