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Com quebradeira e sem esconder partidarismo, manifestações atuais perdem força e apoio

A única chance de levar muita gente para as ruas – e gente de verdade, não milicianos de esquerda ou fantoches de sindicatos ou ONGs – é pedindo a saída da Dilma. E isso eles não admitem, não querem, nem mesmo podem aceitar. Sem isso, 2013 não se repetirá.

A história sobre as manifestações de 2013 é no geral muito mal contada. Não por imperícia, claro, mas porque cada lado ideológico tenta empurrar as virtudes e vitórias para si e as derrotas e vexames para outrem. Mas há uma única e irrecorrível certeza (basta procurar conferir TODAS as notícias): MPL e blackblocs foram os perdedores.

Pois é.

Quando tudo começou, ainda sob a justificativa furada de que seria por conta do aumento de vinte centavos na passagem de ônibus, a coisa era fraca e sem adesão. O aumento de participantes foi sempre diretamente proporcional à guinada da bandeira. À medida que cresciam as demandas contra o PT, ainda que difusas, mais e mais as ruas se enchiam. Isso, é claro, preocupou os movimentos de esquerda.

Aliás, cabe um aparte: até junho de 2013, muito provavelmente pela total falta de contato com as ruas e as pessoas normais, os esquerdistas “influentes” acreditavam que a juventude continuava do seu lado. Ficaram genuinamente surpresos com a descoberta de que o mundo real é bem diferente daquelas rodinhas por eles frequentadas, nas quais todos pensam do mesmo jeito e quem diverge é execrado. Três anos se passaram e eles continuam procurando o rumo perdido (claro, sem qualquer autocrítica).

Mas voltemos a 2013… A coisa virou uma bola de neve. Quanto mais aumenta o número de ataques ao governo e ao PT, tanto maiores se tornavam as passeatas. Naquela com milhões de participantes, que de fato parou o país, não havia qualquer dúvida: o ponto em comum era a bronca com Dilma e seu partido. Nada mais explicaria uma mobilização atingindo o país inteiro. Não eram somente jovens cariocas e paulistas tomando as ruas, mas também paraibanos, tocantinenses, gaúchos, acreanos etc.

O MPL perdera totalmente o protagonismo (chegaram a entrevistar seus integrantes mais ‘proeminentes’, QUASE tornando-os “líderes” de tudo, mas àquela altura era patente que as ruas não estavam dando a mínima para as pautas esquerdistas, queriam mesmo tirar a Dilma do poder) e então surgiram mais fortemente os blackblocs.

Foi isso que acabou sepultando o movimento. A violência afastou as pessoas normais e, claro, vandalismo e depredação também garantem a perda apoio popular (não, o cidadão pobre da periferia que depende de ônibus não acha legal ter seu trajeto atrasado em horas e horas, nem aplaude quando a meninada esquerdista de classe média apedreja ou ateia fogo em ônibus).

blackblocs_fernando frazão - agencia brasil

Dali em diante, o movimento anti-Dilma e anti-PT cresceu mais e mais e mais. Tomou as ruas em manifestações imensas, sem precedentes, para desespero total da esquerda (como um todo) e dos petistas (especificamente). Contribuiu muito para isso a crise econômica, que cada vez corrói mais o poder aquisitivo dos pobres, devolvendo a então aclamada “nova classe média” para a pobreza e a miséria, além do recorde de desemprego.

Num contexto de bonança na economia, o povo costuma ser menos intolerante com “deslizes” do governo; mas, na crise, com desemprego e padrão de vida despencando, a adesão a qualquer movimento oposicionista é total. Mas nada disso é novidade, são os fatos, basta ler os acontecimentos sem a lente esquerdista de grande parte do colunismo (mesmo depois do susto de 2013, eles não pararam de fazer de conta que o mundo seja uma ficção em que tudo acontece dentro dos ditames da militância).

Neste ano, a coisa foi um pouco diferente: os blackblocs entraram já na primeira fase, sem esperar uma guinada ideológica. Mas a essência de tudo não terá como ser mudada, já que, para o movimento REALMENTE ter adesão popular, é preciso esquecer as bandeiras esquerdistas (o povo odeia isso), esquecer a depredação (idem) e passar a bater no governo Dilma e no PT.

Claro que os atuais “líderes” não toparão algo assim e, por isso, continuarão fazendo manifestações com meia dúzia, quebrando tudo e se isolando cada vez mais.

Embora parte considerável da imprensa finja não saber que seja uma tática (inclusive manjada), continuarão com o vandalismo generalizado, continuarão provocando confusões, continuarão forçando situações em busca de algum “excesso” das autoridades para em seguida noticiar a reação como se fosse algum tipo de exagero ditatorial. É assim que eles agem e contam com o silêncio obsequioso de quem deveria pelo menos levantar contestações ao modus operandi escancarado.

De todo modo, mesmo sem questionamento pelos veículos de comunicação, a estratétgia é percebida e repudiada pelas pessoas reais, as que de fato precisam de ônibus para trabalhar, as que acordam cedo e estão no meio do expediente quando a meninada socialista de sobrenome europeu “toma as ruas” com roupas pretas. Não importa o quanto abusem da ficção para impor uma narrativa ideológica: o povo de verdade não aprova os blackblocs.

Enfim, o movimento atual é bem mais fraco e jamais chegará perto do que houve em 2013. A menos, claro, que as ruas passem a ser ocupadas pelos que são contra Dilma e o PT.

ps. é inacreditável como a cegueira ideológica às vezes é maior até mesmo que o coleguismo profissional (para não dizer, claro, a pura e simples empatia humana mais basilar): no início de 2014, blackblocs jogaram uma bomba que matou Santiago Andrade, cinegrafista da BAND. O tempo passou e parece que nada daquilo aconteceu. A tática voltou a ser – expressa ou implicitamente – endossada pelo colunismo de esquerda.Espantoso!

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