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Como o PT e seus aliados fazem do governo um verdadeiro cabide de empregos

Na prefeitura de São Paulo, no governo do Rio de Janeiro ou em Brasília, só fica sem emprego o aliado governista que não quiser trabalhar.

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Nas eleições de 2014, um total de 26.172 candidatos disputaram 1.699 cargos políticos, entre vagas para a presidência, governos estaduais, senado, congresso e assembleias legislativas, além de alguns vices e suplentes. Parece algo difícil de se conquistar, mas a busca pelos bons salários e mordomias da gestão estatal enfrentou no ano passado uma concorrência de apenas 15,4 candidatos por vaga, algo muito abaixo das cifras que alguns concursos públicos apresentam. Em 2010, por exemplo, 756 mil inscritos disputaram apenas 594 oportunidades de emprego no Ministério Público da União numa batalha que chegou a assustadores 1.279,4 concurseiros por contracheque.

Como se não bastasse a baixa demanda, os nossos políticos ainda costumam se beneficiar dos laços partidários que a vida pública reserva. Garantem, assim, que não ficarão desempregados mesmo que a população lhes negue oportunidades nas urnas. O caso mais recente a chamar atenção é o do ex-senador Eduardo Suplicy. Após 24 anos em Brasília com o mesmo discurso em defesa do que chama de “renda mínima”, foi convidado por Fernando Haddad para ser o novo secretário de Direitos Humanos e, bem, suas ideias não parecem ter mudado muito.

A prefeitura de São Paulo, coitada, vem sendo cada vez mais usada para não deixar qualquer derrotado desempregado. Antes do ex-marido de Marta, já havia sido convidado pelo mesmo Haddad para tornar-se o novo secretário de Educação um dos adversários superados nas eleições de 2012, Gabriel Chalita. Já Padilha, derrotado na disputado pelo governo do estado agora em 2014, foi chamado para a secretaria de Relações Governamentais.

Mas há também os casos em que algum nome forte retira a candidatura em troca de cargos. Foi assim que Netinho de Paula ganhou do mesmo prefeito eleito a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial. No entanto, com o perdão do trocadilho, quem chegou na COHAB com a “sua galera” foi Paulo Maluf. Numa estratégia um pouco diferente, o apoio do PP ao candidato petista garantiu uma foto já histórica, alguns minutos a mais no programa eleitoral do PT e a nomeação de apadrinhados do “filhote da ditadura” para a Companhia Metropolitana de Habitação.

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Farra ministerial

Não são, entretanto, apenas os antigos desafetos que garantem suas fatias da verba pública pela mão aberta petista. Mesmo sem saber se ele é casado ou tem filhos, Dilma convidou Gilberto Kassab para ser o novo ministro das Cidades. Também de endereço novo em Brasília, superado pelo PT nas eleições para presidente em 2002, e talvez um dos maiores derrotados nas eleições de 2014 (quando não conseguiu nem ir a segundo turno), Anthony Garotinho foi convidado pelo Planalto para assumir a vice-presidência do Banco do Brasil. Mas nenhuma nomeação chamou mais atenção que a mais nova ministra da agricultura, a senadora Kátia Abreu. Rica em críticas a movimentos sociais de cunho governista, assumiu a pasta para abrir espaço ao seu primeiro suplente no senado, o petista Donizeti Nogueira.

Cid Gomes, o mais novo ministro da Educação, também poderia estar afastado da vida pública após defender que professor não deveria trabalhar por dinheiro e comandar por 8 anos o Ceará. Mas garantiu um cargo ao não apoiar a candidatura de Eduardo Campos à presidência do Brasil, migrando com o irmão Ciro e outros 300 aliados do PSB para o PROS, partido que fez parte da coligação petista.

A Bahia enfrentou um aumento de 195% no número de assassinatos segundo o mapa da violência de 2013, além de uma sangrenta greve da PM em 2012. Mas nada disso impediu Dilma de garantir a Jaques Wagner, que concluía o mandato como governador baiano, um emprego junto ao Ministério da Defesa, órgão responsável pelo estabelecimento de políticas de segurança no Brasil.

Festa em família

Todavia, tantas vezes nem se faz necessário um currículo político, bastando apenas algum grau de parentesco com figuras influentes, mesmo que a lei entenda isso como nepotismo (ou nepotismo cruzado). É o caso de Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador fluminense Sérgio Cabral. Do alto dos seus 23 anos de idade, o garoto jurou estar “preparado” ao assumir a secretaria de esportes do estado que em 2016 receberá os jogos olímpicos. Se preparado ou não, ao menos é mais velho que o filho de Haddad, com 22 anos. Não, Frederico não trabalhará com o pai. Diferentemente de três dos seus amigos de faculdade, os mais novos assessores técnicos comissionados da prefeitura de São Paulo: Alexandre Rebelo Ferreira, André Correia Tredezini e Laio Correia Morais.

Durante a campanha, Dilma foi desmascarada quando Aécio Neves a acusou de garantir ao irmão dela um emprego fantasma na gestão do petista Fernando Pimentel quando prefeito de Belo Horizonte. Mas o tucano nem precisava ter se dado a tanto trabalho investigativo. Bastava ter lido o currículo da presidente, uma vez que ela mesma deve ao menos 5 dos cargos que ocupou à influência de seu ex-marido, um ex-deputado pelo PDT gaúcho. Talvez por isso, Haddad e Sérgio Cabral não achem tão estranha a prática. No melhor (ou pior, vai saber) dos cenários, apenas seguem o exemplo que vem de cima.

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