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Como o PT e seus aliados meteram a mão até nos fundos de pensão dos funcionários públicos

As investigações da Operação Lava Jato levantaram a suspeita de uso dos fundos de pensão para cobrir prejuízos milionários de negócios suspeitos.

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As investigações da Operação Lava Jato trouxeram à tona mais uma consequência do aparelhamento político de estatais. Dessa vez, o esquema envolve os fundos de pensão de funcionários e servidores públicos, que administram mais de R$ 450 bilhões e foram apelidados de “Clube do Amém”.

As denúncias apontam o direcionamento de investimentos dessas entidades fechadas de previdência complementar para negócios suspeitos, em que geralmente dividem com outras fundações do setor público prejuízos milionários.

O esquema segue o padrão dos demais escândalos do governo. Partidos políticos, como o PT e o PR, aparelham os fundos de pensão com dirigentes por eles indicados. Uma vez ocupadas as cadeiras, passam a, diretamente de Brasília, ordenar onde devem aplicar as verbas. Porque acatavam sem questionamentos as ordens recebidas dos padrinhos políticos, os gestores foram apelidados de “Clube do Amém”. Contudo, se o fundo sofre os recorrentes prejuízos que enfrentam nos últimos anos, alguém na outra ponta do investimento finda ganhando.

A quebra do BVA é um dos exemplos mais recorrentes nas denúncias de participantes dos fundos de pensão sobre o direcionamento de investimentos da entidade por personagens como Traboulsi e Youssef por meio de conexões políticas. Cerca de 70 fundos de pensão investiram R$ 2,7 bilhões no BVA e perderam pelo menos R$ 500 milhões com a derrocada do banco, cujo crescimento exponencial em pouco tempo estava justamente na capacidade de atrair investimentos das entidades de previdência do setor público.

(grifos nossos)

Já foram encontrados indícios da participação de Alberto Youssef no esquema, e um de seus auxiliares, o advogado Carlos Alberto Costa, afirmou que João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, tratou pessoalmente desses negócios em 2005 e 2006.

Carlos Alberto Costa menciona, ainda, um suposto pagamento de propina a dirigentes da Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras. A PF também encontrou e-mails em computadores de pessoas ligadas a Youssef atribuindo à influência de Vaccari a aplicação, em 2012, de R$ 73 milhões das fundações Petros e Postalis, este último dos funcionários dos Correios, na empresa Trendbank, que administra fundos de investimentos, causando prejuízos às fundações.

A fim de aumentar a fiscalização sobre o patrimônio bilionário dos fundos de pensão, funcionários das estatais formaram chapas para ocupar cadeiras nos conselhos deliberativos dessas entidades. No início do ano, Banco do Brasil, Petrobras e Caixa Econômica Federal já elegeram conselheiros para esse fim.

Agora, esses conselheiros pretendem criar um fórum de participantes de vários fundos de pensão para trocar informações e experiências sobre como aumentar a fiscalização interna das fundações e promover mudanças nos estatutos para reduzir a influência das patrocinadoras, e, portanto, do governo. As primeiras reuniões deverão acontecer em janeiro de 2015.

Enquanto isso, a oposição trabalha para aprofundar as investigações a respeito do “Clube do Amém” na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O senador Aloysio Nunes (PSDB) apresentou requerimento para que a presidente da Associação Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão, Cláudia Ricaldoni, e Carlos de Paul, da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), esclareçam problemas na gestão do Postalis, o fundo de pensão dos funcionários dos Correios.

– A agenda da comissão está carregada, mas vamos ter que apressar a aprovação desse requerimento e agendar a audiência pública para este ano ainda. Essas novas denúncias mostram que não há limites para o PT. Não se trata mais de fatos isolados, mas de um modus operandi de um partido que resolveu fundar seu poder na corrupção como estratégia de ocupação – disse Aloysio Nunes.

Se um dia houve limites para a corrupção, a administração petista provou que podia facilmente estraçalhá-los. Nem mesmo para com a aposentadoria de funcionários públicos há o respeito necessário. Por se apresentar este como um partido da classe trabalhadora, só amarga ainda mais o gosto já péssimo desta notícia. A oposição não pode deixar isso passar em branco.

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