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A estranha convocação da PF

Apesar de o Ministério Público já ter afastado Serra de qualquer vínculo com o caso do metrô, a PF o chama para “depor”. E justamente na semana das eleições. Fica impossível não dizer que se trata de uma convocação estapafúrdia e eleitoreira.

Suplicy no "Papuda Tour", quando parlamentares foram dar uma olhada nos colegas e ex-colegas encarcerados por corrupção.

Suplicy no “Papuda Tour”, quando parlamentares foram dar uma olhada nos colegas e ex-colegas encarcerados por corrupção.

Suplicy vai mal das pernas e, pela primeira vez em algumas DÉCADAS, está ameaçado de finalmente perder sua preciosa cadeira no Senado – que nunca foi usada para qualquer ação em benefício do estado que ele representa (ou deveria representar). Natural, portanto, que apareçam “denúncias”. E nada estranho que surjam onde surgiram, aliás.

Mas vamos aos fatos.

Serra foi inocentado – e pelo Ministério Público – de toda e qualquer ligação com as acusações de propina envolvendo o metrô de SP. Já falamos disso aqui (por favor, peço que leiam o texto). Mas eis que, mesmo assim, a PF o chama para “depor” – e o depoimento será/seria na semana das eleições. Pois é…

Em primeiro lugar, o que é exatamente um depoimento? Nada. Chamam para buscar informações sobre um caso, e isso é feito com todas as partes que supostamente teriam algo a acrescentar. Não é o mesmo que uma acusação ou algo do tipo. Mas o efeito, bem sabemos, é de cravar pecha de “culpa”. E na semana das eleições. Trata-se, portanto, de uma convocação obviamente eleitoreira e sem pé nem cabeça.

A falta de pés ou cabeça se dá pelo fato de que já foi afastada qualquer culpa ou mesmo relação com o caso. Vejam aqui. Em uma “denúncia” anterior, a mesma Folha disse que executivos haviam procurado Serra – no exterior – e teriam recebido “Instruções”. Pois bem: O REFERIDO GRUPO PERDEU A LICITAÇÃO. Isso mesmo: perdeu. Não houve, por óbvio, benefício de forma alguma (também explicamos isso aqui).

O procedimento atual, portanto, tem objetivos puramente eleitorais. A PF, órgão subordinado ao executivo federal, chama alguém para um “depoimento”, a imprensa noticia de maneira acusatória e, claro, a campanha beneficiada usa como arma contra o adversário. Seria apenas patético se não fosse principalmente reprovável pelo fato de estar nessa rede um órgão que deveria primar pela total imparcialidade.

E vale lembrar, por fim, a recente convocação de Tuma Jr. para também “depor”. Para quem não sabe ou não se lembra: Aloysio Nunes Ferreira determinou que a PF investigasse os fatos RELATADOS NO LIVRO, e o que fizeram foi OBRIGAR O AUTOR A DAR DEPOIMENTO. Sério – vejam aqui.

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