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Curta nota sobre Romeu Tuma Jr. no Roda Viva

Romeu Tuma Jr. não foi “entrevistado” pelo Roda Viva: foi quase um ataque em bando, uma gangue tentando aplicar uma surra de galera. A gangue voltou pra casa chorando depois de apanhar.

tuma jr roda viva

Antes até de se pensar em esquerda ou direita, é preciso entender que o conflito político atual se dá entre hegemonia e diversidade (geralmente quem usa a palavra “diversidade” são os campeoníssimos da hegemonia). A questão é se teremos um pensamento único permitido ou se a mera possibilidade de discussão será tolerada, que dirá continuará a ser a pedra de toque fundamental do Ocidente.

O islã é hegemônico por definição – e ninguém discute “esquerda” e “direita” no mundo muçulmano, que só cobre 1/3 da humanidade and counting. Rússia e China têm alguns aspectos pontuais bem menos esquerdistas do que nós – mas são hegemônicas, e o problema da esquerda é querer ser hegemônica (não à toa que a esquerda “moderna”, de Gramsci a Laclau, se preocupa antes em ser hegemônica, para depois instaurar o poder, e não o contrário, como se deu de Kruschev pra trás).

A questão política, portanto, pouco tem a ver com “estatização x privatização” – a hegemonia, por ser completa, é anterior a alguém no poder, e privatizada por definição. Um totalitarismo islâmico pode perder Kadafi, Assad, Mubarak ou Ben Ali – a sociedade continua com um pensamento único e insiste em uma lei marcial-teocrática para colocar alguém ainda mais violento no lugar.

O curioso é que a hegemonia é por definição uma abstração, uma idéia plástica e artificial. Não existe na natureza senão em formigas ou abelhas e olhe lá. É célebre a frase de que o comunismo deveria ter sido testado com ratos antes. A hegemonia é um perigo pela sua força de histeria coletiva e por ser usada como política pública, mas ela sempre será impossível.

A tentativa de hegemonização da mídia brasileira está colhendo, finalmente, seus primeiros fruto indóceis. Basta ver as últimas grandes entrevistas políticas no Roda Viva, com Lobão e Romeu Tuma Jr. Uma gangue de esquerdistas de diversos lugares (USP, Folha, Estado) tentando pintá-o como um doidivanas, e uma mente solitária no centro da roda pondo todos a ridículo foi pior do que um mestre de xadrez jogando contra várias pessoas e destruindo todas elas ao mesmo tempo.

Tuma Jr. foi entrevistado pelo livro que ganhou destaque de reportagem de capa na revista Veja, onde já havia respondido quase todas as perguntas feitas mais de um mês depois no Roda Viva – perguntas feitas agora como ameaça, como uma tentativa de achincalhe e provocação infantil, como “Você tem provas?” (seguido até de um e-mail provando que, afinal, como um agente da PF havia até mesmo prometido que mentiria, ele estava mentindo) ou “Por que você não delatou antes?” (na verdade, havia delatado tudo, só estava compilando para o público)

Ver a cara de tacho de seus entrevistadores depois das respostas valeu quase como uma destruição de reputações – não pelo assassinato sistemático através de dossiês de mentiras e ataques pessoais como Tuma Jr. denuncia, mas sim com argumentos que, ali, ao vivo, ficaram sem nenhuma resposta. Neste Roda Viva decretou-se por fim que não há mais nenhuma obrigação de tratar notícias elogiosas ao governo na grande imprensa com um pingo de respeito.

Se pegar em galera ainda faz a galera apanhar feio e nem conseguir dar uma unhada no alvo, significa que fica difícil até para a platéia mais abobalhada não perceber quem ganhou de fato e quem perdeu. Não à toa que a petistada hoje resolveu falar do tempo, das ilhas Galápagos, do Tico Santa Cruz e do Leonardo – mas Tuma Jr, quem é esse, nunca ouvi falar, meu deus, vira essa boca pra lá.

De fato, como definiu Rivarol em defesa da monarquia, uma cabeça sozinha pensando vale mais do que centenas de milhões se imitando como autômatos. Uma cabeça pode ser Nero ou Calígula, mas também pode ser Marco Aurélio ou Tito Lívio. A turba costuma se comportar como Nero – mas jamais poderá ser Marco Aurélio.

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