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De olho em 2014, Dilma tenta tirar proveito de morte de jovem na periferia

Acompanhando o clima das redes sociais, opinião da presidência surge apenas quando o risco de atingir a própria imagem é mínimo

Em 25 de outubro, o Datafolha fez uma pesquisa que comprovou que o apoio a protestos violentos vem caindo de tal forma que se aproxima de zero. Segundo dados publicados na Folha de domingo, apenas 4% dos paulistanos consideram esta uma ação válida. O número soa até mais alarmante quando se considera que a margem de erro da pesquisa é de justamente 4%. Ainda sem o número nas mãos, mas acompanhando manifestações nas redes sociais contrárias ao espancamento do coronel da PM na sexta-feira por membros do Movimento Passe Livre através da tática chamada por eles de “black bloc”, Dilma usou sua conta oficial para prestar solidariedade à vítima:

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Hoje, acompanhando uma nova onda de manifestações obviamente contrárias à morte de um adolescente por um tiro alegadamente acidental da parte de um outro PM preso em flagrante, Dilma voltou a usar sua conta oficial para prestar solidariedade:

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Contudo, tentando tirar o máximo proveito da situação, chegou a se alongar no tema e possivelmente cometer alguns deslizes:

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A rede Globo chegou a exibir em sua transmissão imagens do garoto que veio a falecer. Onde cotas raciais são empregadas, cabe ao próprio cotista se declarar negro ou não. Portanto, chega a ser um tanto arbitrário qualquer outra pessoa além do próprio Douglas definir a qual raça pertence. O que, obviamente, não torna sua morte menos ou mais lamentável:

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Imagem exibida pela Rede Globo

Não que Dilma costume reservar tanto cuidado assim quando assunto é a causa negra. Em vídeo que circula na web, a presidente surge limpando a mão após cumprimentar um jovem em cerimônia oficial:

A verdade é que o alvo do Planalto, mais do que nunca, se voltou a uma possível reeleição em 2014. Se antes Dilma vinha colecionando os piores números da reforma agrária no país desde Collor, agora o faz de maneira irresponsável segundo palavras do próprio Estadão:

Considerando-se que a presidente não havia desapropriado um único imóvel rural para reforma agrária neste ano, parece claro que a nova disposição de Dilma resultou não de ponderações técnicas, e sim de objetivos eleitoreiros. Se for mesmo executada, a ordem de Dilma representará a desapropriação de 200 mil hectares para assentamentos, como calcula o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Para técnicos do Incra ouvidos pelo Estado, não existe a menor possibilidade de que, em tão pouco tempo, tamanha quantidade de terras resulte em assentamentos com infraestrutura minimamente satisfatória. Subsiste, desse modo, a situação que levou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, a dizer, num surto de sinceridade, que os assentamentos haviam se transformado em “quase favelas rurais”.

(grifos nossos)

Ainda mais preocupante é constatar que há toda uma estrutura à disposição do Planalto para reverberar suas ações eleitoreiras, como, por exemplo, a questionável atitude da Agência Brasil de noticiar que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo solicitou a ação da Força Nacional para coibir protestos, informação esta desmentida até pelo próprio ministro da justiça.

Fato é que o Planalto só costuma se pronunciar quando não há risco de a notícia atingir a imagem da presidência ou ainda do partido. Dilma manteve-se calada quando 70 famílias foram retiradas pela PM do DF de fazendas da União, quando uma jovem ficou cega pela ação de um policial na Bahia, ou quando o mesmo ocorreu com um jovem no Piauí, todos estes casos ocorridos em estados comandados por petistas ou aliados do governo federal.

Quanto ao policial de São Paulo responsável pela morte de Douglas, já se encontra preso e aguardando ser levado à justiça:

“Um episódio lamentável, mas as providências foram tomadas, o policial foi autuado em flagrante por homicídio. Já está preso. Nós queremos concluir rapidamente a investigação para que o inquérito seja levado à Justiça e que ela possa analisar e decidir”, disse o secretário de Segurança Pública do Estado, Fernando Grella Vieira.

(grifos nossos)

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