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Depoimento de Dilma no impeachment foi um espetáculo patético de despedida

O que se viu foi uma espécie de enterro político em que o próprio defunto jogou terra sobre si.

Dois de nossos avisos foram cumpridos hoje. Não porque somos genais, mas sim porque Dilma Rousseff é extremamente previsível. A primeira delas, mais genérica, foi sobre ser temerário que depusesse pessoalmente. E de fato foi um desserviço a si própria, como será exposto neste texto. A outra: a chance de usar-se a tática do choro; e também foi usada, ainda que de forma pouco convincente.

Mas foquemos agora no depoimento, em si.

Ela começou dizendo que o processo a fez aproximar-se do povo. Sim: APROXIMAR-SE DO POVO. Uma lorota tão patética que chega a dar vergonha na gente. Afinal, foi justamente nesse período em que ela exigiu o direito de viajar de jatinho da FAB, para não pegar aviões comerciais com o resto do povo. No mais, ficou encastelada no Alvorada.

Daí, passou a ler de forma burocrática uma peça de defesa feita mais para registro do tal “documentário” do que para explicar os aspectos jurídicos dos crimes fiscais.

Pelas tantas, para se ter ideia do nível a que as coisas chegaram, ela resolveu comparar-se a Getúlio Vargas. Isso mesmo: um ditador. O déspota que, entre tantos desmandos, mandou a judia Olga Benário, então grávida de Luis Carlos Prestes, para morrer na Alemanha Nazista. Esse é o tipo de herói cultivado pela esquerda. Mas vamos adiante.

Ela também disse que “não enriqueceu” e esse momento deve ter gerado reações interessantes por parte de quem estava próximo de Lula nas galerias do Senado. Porém, era a hora e a vez de Dilma passar vergonha, então rapidamente ela retomou o protagonismo e passou a dizer que não teria culpa pelos problemas fiscais do país, já que eles decorreram da crise.

Sim, a crise econômica que nasceu num árvore plantada por ninguém? Pois é.

E ela emenda esse raciocínio dizendo que houve toda uma crise internacional, de modo que o Brasil foi pego como uma vítima indefesa. Claro que isso é bobagem: ela se refere ao que houve em 2008/2009, aquilo chamado por Lula de “marolinha”. Ainda em 2014, já no processo eleitoral, ela própria negava que houvesse uma crise. Mas agora usa essa mesma crise “inexistente” como desculpa para as pedaladas – pior ainda, como se ela própria, chefiando a economia, não fosse a exata responsável pelo desastre econômico do país.

A narrativa não tem pé nem cabeça, para variar.

Depois disso, começou a sessão de perguntas e respostas, que consistiu em elogios de aliados, rebatidos com concordâncias e auto-enaltecimentos da depoente, bem como críticas dos adversários, ignoradas em sua essência e respondidas com explicações alheias ao teor indagado.

E tome analogia, metáfora, hesitação etc.

Um espetáculo patético de despedida. Um enterro político em que o próprio defunto joga terra sobre si.

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