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Dilma: “Eu tenho respeito pelo ET de Varginha”

A presidente Dilma Rousseff mostra seu respeito ao ET de Varginha e faz uma análise do país digna de uma marciana.

et rodolfo

Dilma visitou Varginha, em Minas Gerais, nessa quarta-feira. O jornalista Carlos Otávio, da rádio Vanguarda FM, entrevistou a presidente, lembrou a fama do ET na cidade e perguntou sobre como a governo federal pretende impulsionar o setor cafeeiro, atividade econômica da região.

“Primeiro, eu queria te dizer que eu tenho muito respeito pelo ET de Varginha. E eu sei que aqui, quem não viu conhece alguém que viu, ou tem alguém na família que viu, mas de qualquer jeito eu começo dizendo que esse respeito pelo ET de Varginha está garantido”, disse Dilma.

É uma boa notícia para os que ainda acreditam que nossos políticos possam ter alguma racionalidade. Dilma tem um grande respeito pelo famoso ET que fez fama em 1996 no disse-que-disse, embora não tenha lá grande respeito por questões um pouco mais terráqueos e que não dependem tanto assim de alguém disse que viu, como os operadores do mensalão, as locupletações de Rosemary Noronha, os motivos dos assassinatos de Celso Daniel e de Toninho do PT, o paradeiro do Amarildo ou quanto o seu governo gasta com Mídia Ninja e outras “publicidades” que só torram nosso dinheiro para nos obrigar a financiar elogios de petistas ao PT – e chamar isso de “jornalismo”, contra nossa própria opinião e visão dos fatos.

Dilma desembarcou em Minas Gerais, às 10 horas, para participar da inauguração do campus avançado da Universidade Federal de Alfenas. Segundo O Globo, em discurso, ela disse que as manifestações no Brasil são diferentes das ocorridas na Europa, onde, segundo ela, luta-se para reverter a perda de direitos:

A presidente afirmou que as reivindicações no país têm como objetivo ampliar e fazer avançar as conquistas dos últimos dez anos. Na avaliação dela, para o brasileiro “toda conquista é apenas um começo”.

— No Brasil luta-se por mais direitos. Na Europa, luta-se contra o desemprego e por direitos perdidos, tanto trabalhistas como previdenciários. Em outros países, a luta é por maior democracia e, em outros, contra a crise do sistema financeiro. Nós aqui lutamos pela ampliação das conquistas.

A visão de Dilma também é bastante extraterrestre, ainda que os protestos tenham sido contra “tudo isso aí” sem nem tentar explicar por onde começar.

Acreditar que as reivindicações tenham algo a ver com aquele período coincidente com o petismo no governo federal é uma análise que beira a ufologia. O PT foi o partido com maior rejeição durante os protestos. Quem não lembra das bandeiras petistas queimadas, e do coro “Meu partido é o Brasil!” quando Rui Falcão, presidente do PT, tentou criar a “onda vermelha” para transformar os protestos sem conteúdo em uma manifestação pró-PT, quase flertando com a forma como o fascismo dominava as massas? (processo muito bem estudado por Ortega y Gasset em A Rebelião das Massas e Elias Canetti em Massa e Poder)

Os protestos falaram muito sobre a abstrata “corrupção”. O maior escândalo de corrupção da história do país foi o mensalão, talvez o que Dilma considere uma “conquista dos últimos dez anos” (ao menos, foi o que colocou Lula no poder, e sem Lula, a presidência de Dilma não seria uma “conquista”, ao menos para a própria Dilma).

O que os tais “Anonymous” fizeram foi o que se chama “leitura cega”, o mesmo que videntes fazem para “adivinhar” a sua vida: jogar com sentimentos que, afinal, todos têm (“você sofreu uma grande perda, não é?”). Por isso, o único político-alvo foi Renan Calheiros, odiado por 11 em cada 10 leitores de jornais no país, à esquerda ou direita – além da balela de “tornar corrupção um crime hediondo” (uma esparrela em que só alguém com conhecimento marciano sobre os meandros do Direito brasileiro pode cair).

Ao se criticar a corrupção, todos estão de acordo. Ao se nomear um corrupto em particular, a massa de indivíduos, um ao lado do outro, rapidamente começaria a se digladiar às dentadas. Ainda assim, o sentimento dos protestos não teve pejo em pedir a imediata prisão dos mensaleiros. E de que outro corrupto livre, leve e solto poderia pedir, afinal?

A análise que a presidente faz sobre a situação do país que governa consumindo 41% de toda a sua riqueza produzida pode ser considerada um contato imediato de primeiro grau. Assim, alguém diz que viu a realidade, ou a família de alguém diz que viu, e a presidente acredita que é assim que é.

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