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Dirceu acusa Luiz Fux e complica o governo Dilma

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Condenado no processo do Mensalão, Dirceu concede entrevista a Fernando Rodrigues, da Folha de São Paulo, cujo trecho vai a seguir:

Ele disse para o sr.: “Eu vou te absolver”?
…Disse textualmente…

E qual foi a frase?
Que ia me absolver.”

José Dirceu alega que o ministro Fux, do STF, teria dito TEXTUALMENTE que o absolveria – antes de ser nomeado pela presidente Dilma Rousseff, do partido de Dirceu. Trata-se, acima de tudo, de uma acusação indireta ao governo federal.

Fux, como se sabe, não absolveu Dirceu – ao contrário, seus votos foram sempre contundentes contra os réus. Desse modo, não é possível falar em algum acordo ou coisa do gênero. Mas mesmo assim a fala de Dirceu complica o governo.

Isso porque cabe à Presidência da República nomear os ministros do STF e coube à gestão Dilma indicar Luiz Fux. Abre-se assim uma crise institucional, em primeiro lugar pela acusação em si, mas também pelo fato do governo nomear alguém que teria prometido absolver o líder do partido da Presidente da República.

Dirceu fala a verdade? Então que prove judicialmente. Fala MESMO a verdade? Então que o governo se explique quanto à nomeação. Sobre Fux, apenas aplausos pelo julgamento isento e juridicamente perfeito – dissociado, vale reiterar, de qualquer suposto acordo.

Mais Dirceu
Dirça nunca perde uma oportunidade de perder uma oportunidade e, na mesma entrevista, solta o seguinte:

“A não ser que se queira, agora, dar um golpe que não conseguiram dar antes. Quer dizer, conseguir transformar o Lula em réu na Justiça brasileira. A não ser que se vá fazer esse tipo de provocação ao PT e ao país, à nação brasileira.” (grifos nossos)

Para José Dirceu, é uma “provocação ao país” e “à nação brasileira” levar Lula ao banco dos réus. O messianismo cínico chega ao ápice. Lula, na fala do Dirça e para parcela considerável da militância, está acima do bem e do mal.

Seria quase uma entidade divina onipotente e onisciente, não fosse o fato de Dirceu ter mais poder e, como sabemos, ele não ser bom nessa parte de “ter ciência” das coisas.

Marcos Valério acusou Lula, a Polícia Federal e o MP o investigarão. Isso não é uma provocação; ao contrário, é dever de ofício e a decorrência lógica dos fatos. Por que ele não deveria ser investigado?

Quando estourou o escândalo do Mensalão, Lula alegou não saber de nada e atraiu para si um dilema constrangedor: ou mentia, pois sabia de tudo, ou de fato não tinha noção e foi durante anos feito de idiota – por quem até hoje trata como um amigo, mostrando que (nessa hipótese) seria uma toupeira de bom coração e espírito cristão.

O inquérito busca resolver esse dilema. Ou Lula sabia de tudo, ou de fato foi feito de trouxa. Não há uma terceira opção – e processá-lo não é uma provocação, que de fato haveria caso ele NÃO fosse investigado.

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