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E agora? As 5 desculpas furadas do impeachment de Dilma ser “golpe” também servem para Cunha

E agora? O petista que alega ter havido um “golpe” terá de dizer a mesma bobagem também sobre a cassação de Eduardo Cunha. Que fase….

Petistas de todo gênero (até mesmo – ou talvez especialmente – a turma do “não sou petista, mas…”) batem os pés dizendo que o impeachment de Dilma Rousseff seria um golpe. Dão uma série de razões para isso. Todas furadas, é claro. As pessoas por aqui não acham isso, nem mesmo a imprensa internacional. Aliás, até mesmo DIRIGENTES PETISTAS abandonaram a narrativa (não todos, é claro).

Agora, um dado ainda mais risível, que PRECISA ser divulgado a todos que acreditam ser um golpe o processo de impeachment: simplesmente todas as principais falácias também servem para Eduardo Cunha. Exatamente. Confiram a lista:

Eleitos pelo povo

Assim como Dilma, Cunha também foi eleito pelo povo. Desse modo, também se aplicaria a ele a conversa-mole de que não poderia ser deposto. Certo? Errado, claro. Nos dois casos, é assim que funciona. Como vivemos numa democracia, o povo elege; e, também como vivemos numa democracia, a Constituição Federal estabelece mecanismos que permitem a deposição de políticos eleitos para quando ferirem a lei – mediante votação expressiva do parlamento. Casos idênticos, ambos corretos.

Tirados pelo mesmíssimo Congresso

Dilma Rousseff e Eduardo Cunha, portanto, serão tirados por parlamentares. Ela já foi, e por deputados e senadores; ele será só pelos deputados. Deveriam fazer um plebiscito? Deveriam fazer uma consulta popular? Nada disso. No sistema representativo, as coisas funcionam assim. E não adianta dizer que se trata de um “parlamento corrupto”. A desculpa fica ainda mais furada quando a maioria desse mesmíssimo parlamento, até outro dia, era base do governo.

Não foi por corrupção

Apesar das inúmeras acusações contra seu governo, incluindo ministros e seu próprio nome, bem como evidências deploráveis sobre as contas de sua campanha (mesmo algumas no exterior, justamente na Suíça…), ainda assim Dilma NÃO foi impichada por corrupção. Tanto menos Eduardo Cunha. É isso aí. A base do pedido de sua cassação NÃO é corrupção, roubo ou algo do tipo. Isso quer dizer que ambos são honestos? Como dizem os outros: a história irá julgar (mas a HISTÓRIA, de fato, não alguns professores-militantes de hoje). O que nos leva ao próximo tópico…

Base em “detalhe” da lei

Pois é. O pior governo dos últimos tempos não caiu pelas mutretas de que o acusavam, mas sim por um “detalhe”: feriu a Lei de Responsabilidade Fiscal. E isso é motivo bastante para iniciar o processo de impeachment. Eduardo Cunha, por sua vez, (provavelmente) será cassado por falar mentira num depoimento. Essa é a justificativa técnica do pedido. E não existe essa conversa de “detalhe” legal. Lei é lei. No mais, convenhamos: quem pede veementemente a cassação de Cunha, sabendo que a base legal foi ter contado uma lorota, deveria ter menos pudores em também defender a deposição de uma presidente cuja fraude fiscal (que, a rigor, é uma “mentira contábil”) detonou a economia de todo um país. Ou não?

Outros já fizeram isso

Quando já não tinha mais para onde correr, os defensores de Dilma partiram para a “luta franca”, na qual a lógica passou a ser esmurrada sem dó nem piedade. A alegação era o patético “outros fizeram isso” (imagine se todo criminoso passar a usar tal expediente…). Ocorre que Eduardo Cunha também fez algo que outros fizeram (e fazem) sempre. Ele mentiu. Sim, políticos mentem. Não, nem todos dançam por isso. Mas o fundamental é que, num caso como no outro (e em todos, aliás), NÃO É RAZOÁVEL dizer que “outros fizeram” como forma de tirar o corpo fora. Você fez? Foi pego? Aconteceu? É passível de punição? Aceite e engole o chorinho.

Pois é. As cinco principais “justificativas” (ou melhor: desculpas esfarrapadas) para dizer que o impeachment não seria válido servem TODAS também para Eduardo Cunha. Então é “golpe” sua cassação? Nada disso. É legítima, legal e justa. Assim como a saída de Dilma Rousseff.

Aceitem. E engulam o chorinho.

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