Blog

Eleições 2016: em SP, a esquerda vai de Erundina ou Haddad?

Resposta curta: Haddad. Mas vale a pena ler toda a análise para entender o porquê.

Luiza-Erundina---Fernando-Haddad---Eleiçao-2016---Prefeitura-de-São-Paulo

Uma forma razoável de atestar a popularidade de um governante é a disputa por sua sucessão (e esse índice é ainda mais eficiente considerando as hipóteses de reeleição). Funciona assim: quanto maior sua rejeição, tanto maior é o número de candidatos “viáveis” na eleição subsequente. Nunca falha.

Ficando apenas com São Paulo, vale lembrar o ano 2000. Celso Pitta era reprovado por quase toda a população e, por conta disso, abriu-se uma brecha no “malufismo” até então hegemônico. O próprio Dr. Paulo concorreu, mas disputou com Marta Suplicy (a vitoriosa), Luiza Erundina, Geraldo Alckmin, Collor (é sério), Enéas (sim) e alguns outros.

2016 lembra muito aquele cenário. A péssima gestão de Fernando Haddad faz com que diversos candidatos apareçam, e alguns deles competindo diretamente no “campo” do atual prefeito. É o caso de Marta Suplicy (PMDB), especialmente quanto a fatias do eleitorado da periferia (independentemente de questões ideológicas), e também o de Luíza Erundina (PSOL), que disputará o voto esquerdista.

Antes de tudo, é óbvio que o eleitorado EFETIVAMENTE de esquerda é irrisório em termos numéricos, mas eles ocupam espaços gigantescos nos meios de comunicação, colunas etc. Desse modo, é importante saber quem “escolherão”.

De um lado, o PT, amado e idolatrado, que mesmo depois de tudo ainda é defendido. De outro, Erundina, também amada e idolatrada, concorrendo pelo neo-adorado PSOL. Uma parada dura.

Ou nem tanto. Essa turma mais “formadora de opinião” não é famosa pela coerência. E eles há tempos constroem a narrativa a ser usada no pleito deste ano. Desta feita, é possível antecipar o que farão – salvo raras e muitas vezes inexpressivas exceções.

Eles vão de Haddad. É isso.

Desde o Mensalão, e mesmo considerando que o atual prefeito era também ministro de Lula, trataram de blindá-lo quanto a isso. Ele estava lá, mas não tinha nada a ver com o pato – foi o que sempre disseram. Daí estoura a Lava Jato, com direito a  QUATRO secretários seus enrolados na parada. De novo, nada a ver – insistem.

Paralelamente, essa rapaziada apoiadora fez questão de construir e faz questão de alimentar a imagem do “prefeitão altamente esquerdista”. Mesmo as mais estapafúrdias medidas são aplaudidas por razões ideológicas. Essa seria, portanto, a roupagem empregada para fazer com que declarem voto no dito cujo mesmo com Luiza Erundina concorrendo pelo PSOL.

(a desculpa verdadeira: ele tem mais chances e o que querem é alguém de esquerda no poder, mesmo se for de um esquerdismo já meio mixuruca – já que o deles próprios também é)

Mas aí vem a sinuca: quem concorre empunhando bandeiras canhotas NUNCA ganha uma eleição majoritária. Nem em São Paulo nem em lugar algum.

E como o PT ganhou? Prometendo mundos e fundos, mas JAMAIS levantando qualquer pauta esquerdista. Podem fazer o retrospecto. Em 2002, Lula se elegeu falando da “esperança” contra o “medo”, escorado sobretudo na baixíssima popularidade de FHC àquela altura. Em 2006, já com a economia mundial decolando, ele então aderiu ao discurso do medo – caso o adversário ganhasse.

O mesmo medo foi colocado nas eleições de 2010 e 2014; na primeira, em carga menor, pois a economia ainda dava uns sobressaltos positivos, mas na segunda a campanha foi de verdadeiro terror e apoiada num conjunto de promessas falsas nunca antes visto na história deste país.

Voltando a SP: Haddad se elegeu menos como “homem do Lula” e mais como a “nova cara da política”; mas, definitivamente, NUNCA como alguém “de esquerda”. Ao contrário: prometeu mundos e fundos, obras viárias hollywoodianas e assim por diante. A movimentação daquela galera classe média alta falando em “amor” ajudou na parte dos formadores de opinião, mas VOTO mesmo, do povão, foi prometendo o que não entregou nem entregaria.

Daí a sinuca de bico. Ele precisa do apoio desses formadores, especialmente por atravessar a pior fase de qualquer prefeito de todos os tempos, mas também não pode se comprometer muito sob pena de perder ainda mais votos (nesse caso, especificamente, para Marta Suplicy).

Enfim, para além de todos os chutes e especulações, será um eleição divertida. Para dizer o mínimo.

To Top