Blog

Em nota patética, diplomatas condenam “repressão”, mas sem citar o vandalismo terrorista

É uma piada assinada coletivamente.

Foto: Wilton Junior - Estadao Conteudo

Em feito inédito, diante da tradição de uma postura reservada, alguns funcionários do Ministério das Relações Exteriores assinaram nota pública (ou carta aberta, nunca se saber a diferença) contra o uso da força para reprimir manifestações, além de outras platitudes.

Não, não condenaram a destruição terrorista, o vandalismo, os incêndios etc.

Segue a íntegra, voltamos em seguida:

“Nós, servidoras e servidores do Ministério das Relações Exteriores, decidimos nos manifestar publicamente em razão do acirramento da crise social, política e institucional que assola o Brasil. Preocupados com seus impactos sobre o futuro do país e reconhecendo a política como o meio adequado para o tratamento das grandes questões nacionais, fazemos um chamado pela reafirmação dos princípios democráticos e republicanos.

2. Ciosos de nossas responsabilidades e obrigações como integrantes de carreiras de Estado e como cidadãs e cidadãos, não podemos ignorar os prejuízos que a persistência da instabilidade política traz aos interesses nacionais de longo prazo. Nesse contexto, defendemos a retomada do diálogo e de consensos mínimos na sociedade brasileira, fundamentais para a superação do impasse.

3. Desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, a consolidação do estado democrático de direito permitiu significativas conquistas, com reflexos inequívocos na inserção internacional do Brasil. Atualmente, contudo, esses avanços estão ameaçados. Diante do agravamento da crise, consideramos fundamental que as forças políticas do país, organizadas em partidos ou não, exercitem o diálogo, que deve considerar concepções dissonantes e refletir a diversidade de interesses da população brasileira.

4. Para que esse diálogo possa florescer, todos os setores da sociedade devem ter assegurado seu direito à expressão. Nesse sentido, rejeitamos qualquer restrição ao livre exercício do direito de manifestação pacífica e democrática. Repudiamos o uso da força para reprimir ou inibir manifestações. Cabe ao Estado garantir a segurança dos manifestantes, assim como a integridade do patrimônio público, levando em consideração a proporcionalidade no emprego de forças policiais e o respeito aos direitos e garantias constitucionais.

5. Conclamamos a sociedade brasileira, em especial suas lideranças, a renovar o compromisso com o diálogo construtivo e responsável, apelando a todos para que abram mão de tentações autoritárias, conveniências e apegos pessoais ou partidários em prol do restabelecimento do pacto democrático no país. Somente assim será possível a retomada de um novo ciclo de desenvolvimento, legitimado pelo voto popular e em consonância com os ideais de justiça socioambiental e de respeito aos direitos humanos.”

Comentemos ponto a ponto.

1 e 2

A primeira parte é pura enrolação. A segunda já diz a que vem. Ao falar em “retomada do diálogo”, levando em conta a quem se referem nos demais itens, deixam claro que seria o governo, não os manifestantes incendiários, que estaria fechado ao diálogo. Mentira.

3

Mais enrolação. É inacreditável como até em nota pública os diplomatas escrevam todo um parágrafo só para encher linguiça.

4

Esse é o ponto central. A parte anterior era para mostrar boas intenções por meio de frases feitas. Aqui, no item quarto, a coisa pega e este trecho chega a parecer piada:

Repudiamos o uso da força para reprimir ou inibir manifestações. Cabe ao Estado garantir a segurança dos manifestantes, assim como a integridade do patrimônio público, levando em consideração a proporcionalidade no emprego de forças policiais” (grifamos)

Como assim? A um só tempo cabe ao Estado garantir a integridade do patrimônio público SEM reprimir quem tenta atar fogo nesse mesmo patrimônio público? O que sugerem? Os policiais devem escrever uma nota pública, ali na hora, e os manifestantes com bombas caseiras vão simplesmente reconhecer o próprio excesso? Façam o favor!

E o que seria proporcionalidade? Atear fogo nos manifestantes, assim com fazem? Ou o revide proporcional a uma bomba seria meramente uma chamada verbal? Parece piada.

5

Mais enrolação, com direito à preocupação “socioambiental”.

Enfim

É um manifesto nitidamente político-partidário, feito para ganhar manchetes (ganhou, é claro), distorcendo a realidade de maneira absurda. Evidentemente, é algo que circulará apenas na bolha de sempre, pois o povo sabe muito bem o que houve e há nessas manifestações destrutivas.

ps – se de fato a intenção não é partidária, vale perguntar: o que disseram os signatários do documento quando isso aqui aconteceu?

Fonte: G1

Notícias Recentes

To Top