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Em tempos de “crise econômica”, caso André Vargas serve para lembrar que ela tem origem ética

Se antes havia um sentimento no eleitorado de que o PT “roubava, mas fazia”, há agora a crescente sensação de que rouba-se cada vez mais e faz-se cada vez menos.

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O vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR) – aquele mesmo que levantou o punho em provocação a Joaquim Barbosa -, tem se complicado cada vez mais desde que a Polícia Federal deflagrou a Operação Lava Jato, que desarticulou uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro. Entre os presos, estava o doleiro Alberto Youssef, com quem Vargas foi acusado de atuar a fim de conseguir contratos governamentais para as suas empresas.

Reportagem publicada pela revista “Veja” neste sábado (5) afirma que o vice-presidente da Câmara, deputado André Vargas (PT-PR), atuou junto com o doleiro Alberto Youssef para a assinatura de um contrato entre uma empresa de Youssef e o Ministério da Saúde. (…) Ainda de acordo com a reportagem, as investigações mostram que Vargas ajudava o sócio a localizar projetos dentro do governo pelos quais poderia ser desviado dinheiro público.

Pressionado, Vargas acabou pedindo afastamento de 60 dias da Câmara alegando “interesse particular”. Mas, apenas um dia após o pedido, surgiu mais um fato para comprovar a relação entre o deputado e Youssef: ambos também são réus do maior escândalo de corrupção da história de Londrina, onde, na década de 1990, houve desvio de ao menos R$ 14 milhões em licitações fraudulentas.

O valor teria sido desviado em diferentes fatias. Em uma delas, em 1998, dos R$ 141 mil que saíram dos cofres municipais, R$ 120 mil acabaram com Youssef, e R$ 10 mil, com Vargas, segundo o Ministério Público do Paraná. Militante do PT à época, Vargas coordenava campanhas locais do partido, como a de Paulo Bernardo (atual ministro das Comunicações) à Câmara dos Deputados. A Promotoria suspeita que o dinheiro tenha abastecido essas campanhas.

Temendo que o escândalo prejudique o partido, alimente a CPI da Petrobras e desgaste a imagem da presidente Dilma Roussef, o Palácio do Planalto e a cúpula do PT vão fazer pressão para que o deputado renuncie ao mandato.

No Planalto, o comentário é que o pedido de licença do deputado, apresentado nesta segunda, 7, não resolve a questão. A situação de Vargas é definida no Planalto como “delicadíssima”, insustentável num ano eleitoral.

A bancada do PT na Câmara vai se reunir nesta terça para avaliar o assunto. Vargas está em Brasília, mas até agora não se sabe se ele participará do encontro. Na quinta-feira, a Executiva Nacional do partido também vai se reunir, em São Paulo, e deve ser nomeada uma comissão interna para que Vargas dê explicações.

Para agravar a situação do partido, descobriu-se que uma das empresas investigadas pela Polícia Federal, a Jaraguá Equipamentos, doou R$ 4,5 milhões ao seu diretório nacional entre 2010 e 2012.

A Jaraguá Equipamentos foi contratada pela Petrobras para a obra da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco no valor de R$ 1,2 bilhão. Em 2010, ano de eleição presidencial, a companhia doou, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), R$ 2,5 milhões para o PT. Em 2011, repassou R$ 1 milhão ao partido. No ano seguinte, mais R$ 1 milhão. (…) Não há registros de doações para outras legendas pelo menos em 2010 e 2011.

Agora, para completar a sorte de André Vargas, a oposição quer pedir a cassação do seu mandato, e a investigação sobre sua relação com o doleiro acabou no STF, onde será julgada por ele mesmo: Joaquim Barbosa.

Mesmo com tudo que ocorreu em 2005, talvez este seja o momento mais delicado para o PT desde que chegou à presidência do país em 2003. Se antes havia um sentimento no seu eleitorado de que o partido “roubava, mas fazia”, há agora a crescente sensação de que rouba-se cada vez mais e faz-se cada vez menos. O caso “André Vargas” vem à tona para que a nação não se esqueça que a crise no país não é só econômica, mas também ética. Aliás, que esta possui forte influência na existência dessa. Em ano de eleição, isso pode se condensar num cenário ideal para a oposição ressurgir das cinzas.

Faltam 6 meses para as eleições.

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