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Em vez de Copa do Mundo ajudar no crescimento da indústria, colaborou para a queda

O evento acabou aumentando as dificuldades do setor em função do menor número de dias úteis e da redução de horas trabalhadas.

dilmacopa

Já há um certo tempo, a indústria brasileira vem vivendo um mau momento. Em nove meses, de outubro de 2013 a junho deste ano, ela acumulou uma perda 6,5% na produção. Apesar de apresentar algumas altas dentro desse período, os últimos quatro meses foram de quedas seguidas.

A atividade registrou ainda forte desaceleração na passagem entre o primeiro e o segundo trimestre, com queda de 2%. Em junho, a queda foi de 1,4% em relação ao mês anterior, na série com ajuste sazonal.

— O setor industrial vem mostrando menor dinamismo, não só nos últimos quatro meses, mas desde outubro — explica o gerente de Coordenação de Indústria do IBGE, André Macedo.

Segundo afirmação do ministro da Fazenda Guido Mantega em maio, logo antes do início da Copa do Mundo, a realização da competição ajudaria a beneficiar os setores de comércio e serviços, levando ao crescimento do PIB no 2º trimestre. No entanto, o evento acabou aumentando as dificuldades do setor em função do menor número de dias úteis e da redução de horas trabalhadas.

— São quatro meses de resultado negativo, mas é claro que a magnitude da queda (-1,4%) tem relação com a Copa do Mundo, mas há influência de todos aqueles fatores que vem pontuando a indústria como baixo nível de confiança do empresariado, nível de estoques acima do usual, evolução menor da demanda doméstica, cenário adverso no exterior, entrada de produtos importados e maior restrição na concessão de crédito — afirma Macedo.

A Copa do Mundo, embora seja vendida como um sucesso, acabou deixando um legado menor e mais caro do que o prometido. Dos 83 projetos de mobilidade urbana, estádios, aeroportos e portos a um custo de R$ 23,5 bilhões, foram mantidas 71 obras – com grande parte não sendo entregue a tempo –, e a um preço bem mais alto.

Segundo levantamento feito pela rede de repórteres do Estado nas 12 cidades-sede, as obras entregues para a Copa e as inacabadas somam R$ 29,2 bilhões – mesmo tendo sido substituídos em várias cidades projetos mais ambiciosos, como trens e monotrilhos, por modestos corredores de ônibus. Ou seja, o País gastou mais para fazer menos e com menor qualidade.

Resta agora aguardar o resultado do PIB no segundo trimestre para confirmar se a previsão de Mantega estava parcial ou completamente equivocada. Mas, dadas as constantes reduções de estimativa para seu crescimento em 2014, tudo indica que vem por aí mais um número que não agradará nem um pouco o governo.

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