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Enquanto a mídia se distrai com a Copa, o governo segue complicando o futuro da Petrobras

Mesmo afundada em dívidas, seguindo ordens superiores, estatal acrescenta 15 bilhões de reais às contas que deve quitar nos próximos anos.

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O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou a contratação da Petrobras para explorar campos do pré-sal que já tinham sido cedidos à estatal em 2010 de forma onerosa. Com isso, a empresa terá que pagar R$ 2 bilhões de bônus em 2014 e mais R$ 13 bilhões entre 2015 e 2018, mesmo que a extração do petróleo só vá começar em 2021.

A Petrobras informou, ainda, que haverá a revisão prevista no contrato de cessão onerosa dos 5 bilhões de barris petróleo, que foi definida com base em um preço do petróleo muito abaixo das cotações atuais. Com essa revisão, o governo poderá obter entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões da estatal – recursos que devem ser usados para gerar superávit primário.

Como a estatal está afundada em dívidas, o mercado reagiu mal à medida, o que derrubou as ações da companhia já que isso compromete seu caixa e, consequentemente, a sua capacidade de pagar seus credores. Como se não bastasse, continuam surgindo denúncias sobre as negociações obscuras da empresa.

Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), a Petrobras trabalhou com um orçamento sigiloso de contratação de serviços de equipamentos para a Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, ocultando as estimativas de custos sob a alegação de “sigilo” mesmo quando o TCU solicitava as documentações após localizar indícios de erros ou sobrepreços.

A empresa ocultou, também, os estudos de viabilidade econômica, técnica e ambiental do empreendimento, cujos gastos foram multiplicados por nove nos últimos onze anos: o orçamento inicial de US$ 2,3 bilhões passou a US$ 18,5 bilhões e poderá chegar a US$ 20,1 bilhões até a inauguração, marcada para novembro, conforme projeções da estatal.

Com isso, o preço de cada um dos 230 mil barris de óleo refinados que sairão de lá custará no mínimo US$ 87 mil, valor que representa mais que o dobro da média internacional.

As razões da escalada de custos (mais de 770%, em dólares) se misturam num enredo onde predominam suspeitas de má gerência, erros de projeto, contratos superfaturados, sobre os quais foram aplicados aumentos extraordinários, além de corrupção, com lavagem de dinheiro no Brasil e no exterior.

Não deixa de ser uma tática arriscada para o próprio PT. Denúncias de corrupção e de ingerência na Petrobras foram em março as principais causas da vertiginosa queda de popularidade de Dilma. Em duas semanas estará finalizada a Copa do Mundo de Futebol. Talvez os estrategistas do governo apostem que tais medidas serão esquecidas até lá. Mas, a depender do sucesso da seleção brasileira nos próximos jogos, o evento pode, na prática, se encerrar bem antes. É quando sobraria espaço para que as manchetes dos principais veículos questionem essa postura.

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