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Enquanto Dilma e o PT afundam, Lula tenta se safar (em vão)

O ex-presidente vem tentando, através da imprensa, descolar a sua imagem do time que encabeça os escândalos da Petrobras. Mas seu plano não vem dando muito certo.

Luiz Inácio Lula da Silva

A policia federal amanheceu esta quinta-feira batendo à porta de um petista barbudo. Mesmo ainda não sendo quem você está pensando, a retenção de João Vaccari Neto representa menos um degrau de distância entre os investigadores do Petrolão e as cabeças do poder brasileiro nestes últimos 12 anos. A acusação diz que o tesoureiro do PT recebeu ao menos um quarto dos duzentos milhões de dólares que teriam ilegalmente entrado no caixa do partido neste período. A imprensa ainda completa a informação dizendo que o acusado se negou a abrir a porta para a PF, fazendo com que os agentes precisassem pular o muro para encontrá-lo. Contudo – e paradoxalmente – esta talvez tenha sido uma boa notícia para Lula.

Porque ontem, em horário nobre, o ex-presidente do Brasil foi acusado pelo empresário Auro Gorentzvaig de cometer a seguinte sentença:

“Poder Judiciário não vale nada. O que vale são as relações entre as pessoas.”
(Luiz Inácio Lula da Silva, segundo Auro Gorentzvaig)

Além destas aspas, o empresário, que já foi sócio da Petrobras na refinaria Triunfo, foi à TV denunciar:

  • Que a Petrobras comprou uma petroquímica pelo triplo do preço num prejuízo de quase R$ 3 bilhões
  • Que Dilma e Lula sabiam de tudo
  • Que, diferentemente do que propaga por aí, Lula mantinha relações com Paulo Roberto Costa, principal delator do Petrolão
  • Que, em 26 de fevereiro de 2009, tentou alertar Lula de tudo e ouviu o disparate mencionado mais acima

No site do Jornal da Band é possível assistir à reportagem por completo.

O estrago dessas denúncias, no entanto, foi ofuscado pela deflagração da nona etapa da operação Lava Jato. De qualquer modo, o time lulista já entrou em campo para mais uma vez tentar descolar do escândalo em curso a imagem do ex-presidente. A exemplo do que ocorrera com Marta, quando uma clássica defensora do PT veio a público dizer as verdades caladas durante três mandatos, agora foi a vez de Ricardo Kotscho. Na condição de ex-secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República nos primeiros anos do governo Lula, repetiu o roteiro da senadora petista e bateu em Dilma sem dó ou piedade. Até a palavra com I*, tão temida e questionada recentemente pelas vozes governistas, foi utilizada. Mas sempre com o estranho cuidado para não resvalar no nome de Lula, que só vem a ser citado no último parágrafo, com as ressalvas de que estaria distante da presidente e irá nesta sexta, ao estilo Mestre dos Magos, aconselhar a “gerentona” em um já alardeado encontro.

Entretanto, se Lula sabe o que deve ser feito, não está transmitindo isso corretamente aos seus assessores disfarçados de jornalistas imparciais. Porque as reportagens em tom de “release do Instituto Lula” soam cada vez menos certeiras. Às 21h12 da última segunda-feira, a Folha anunciou que Lula pediria neste mesmo encontro que Dilma afastasse Graça Foster da chefia da Petrobras. O problema é que, às 10h52 da manhã de terça-feira, a mesma Folha não só disse que a chefe da estatal seria afastada, como a decisão já estava tomada desde o fim de semana anterior. O que faz o estranho vazador das infos privilegiadas sobre torneiro mecânico? Na madrugada da quarta-feira solta que Lula irá aproveitar o encontro com Dilma para sugerir o nome de Henrique Meirelles à vaga em aberto. Contudo, pondo abaixo o teatro do pretenso “Salvador da Pátria”, o Globo adianta no mesmo dia que o ex-presidente do Banco Central não possui qualquer interesse em sentar do “trono de ferro” dessa bagunçada Petrobras.

À oposição resta uma missão bastante delicada. É preciso acertar o alvo em tão estratégico ponto que não pode haver brechas para que Dilma seja sacrificada em prol de benefícios a Lula. Isso já ocorreu num passado recente quando alguns mensaleiros foram trancafiados na Papuda em preservação à integridade presidencial. Os erros do PT são erros coletivos, sistêmicos, pouco têm a ver com os interesses pessoais de um ou outro “aloprado”. Está provado, são transmitidos de mandato a mandato independente da mão que empunha a caneta. Se a justiça novamente não quiser enxergar isso, que as vozes opositoras abram seus olhos. Pois a justiça só é cega quando não quer ver. E, diz o ditado, esse é o pior tipo de cego.

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(*) Impeachment

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