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Entenda como funciona a “lista fechada”, que poderá valer já nas eleições de 2018

É a tendência atual da Reforma Política.

Pelo andar da carruagem, é provável que, com a Reforma Política, já votemos em “lista fechada” nas eleições legislativas de 2018. Simplesmente toda a classe política está devastada com as delações da Odebrecht e essa seria uma solução, por assim dizer, para evitar que muitos sejam banidos da vida pública.

Sim, a motivação é essa. Não há qualquer nobreza, até porque não isso não faz parte das ações de nossos políticos. O interesse é sempre em si próprios.

Desse modo, preparamos um pequeno manual, com explicações objetivas sobre esse sistema.

O que é?

Atualmente, podemos votar nos candidatos ou no partido (legenda). Com a “lista fechada”, só será permitido voto na legenda. Ninguém mais escolherá uma única pessoa, mas sim uma lista de vários candidatos daquele mesmo partido.

Vou saber quem está na lista?

Sim, as listas serão públicas, com todos os candidatos que poderão ser eleitos.

Quem escolhe os integrantes da lista?

Os próprios partidos. Mas, como sabemos, isso obviamente ficará a cargo das cúpulas, que tenderá a escolher caciques e “puxadores” de votos.

Como saber quem da lista entrará?

É por ordem estabelecida nela própria, ou seja, os “de cima” entrarão primeiro, e assim por diante. Se o candidato que te agrada está nas últimas posições da lista, o provável é que ele não entre e seu voto sirva para eleger a turma “de cima”.

Pontos negativos

Ao contrário de alguns outros países, como EUA e Inglaterra, o Brasil tem uma estrutura partidária com muitas legendas – atualmente, há 35 registradas no TSE. Não há, portanto, um sistema de “fortalecimento partidário”, mas sim de fisiologismo geral e descarado. Mas o principal é que passamos por um momento único, e não faz o menor sentido, a não ser para preservar os maus políticos, tirar justo agora o poder decisório da mão dos eleitores. Porque, sim, as cúpulas colocarão entre os 10 primeiros nomes alguns caciques que jamais teriam voto suficiente se não fosse assim.

Pontos Positivos

Os partidos são fortalecidos, o que faz sentido nos países em que eles se estruturam de forma clara e ideológica, e são no máximo dois ou três. Também é positivo que se torne pública a lista de todos os candidatos, pois atualmente votamos sem saber quais são os outros da legenda ou coligação.

Enfim…

Pois é, eis a “lista fechada”. Há elementos positivos, mas não parecem justificar sua implantação agora, de forma abrupta, bem em meio a todo a tensão do contexto.

Lembrando que três ministros do STF já se posicionaram favoravelmente – e Lewandowski foi contra. O Implicante também é contra, apesar de acreditar que isso prejudicará ainda mais o PT (não gostamos do partido, mas isso não seria motivo para atropelar a democracia).

Portanto, aguardemos. Mas o provável é que passe.

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