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Entenda o jogo de chantagens entre Câmara e Planalto acerca do impeachment de Dilma

As cartas estão na mesa, os dois lados contam os pontos.

O mandato de Dilma está por um fio. Ao ponto de muitos considerarem uma nova grande derrota como a gota d’água para sua queda. Desde o primeiro semestre, no entanto, discute-se o que a imprensa chama de “pauta-bomba”: um punhado de reivindicações que, se aprovadas, quebram as contas públicas, se negadas, queimam o filme de quem se indispor com a população. O que o Congresso fez? Empurrou a bomba acesa para o colo de Dilma, que a vetou. Com isso, a bola voltou para o Congresso, que pode acatar os vetos, salvando a economia, ou derrubá-los, mandando Dilma para o inevitável impeachment.

O problema é que o PMDB está na linha de sucessão de uma possível queda de Dilma e não possui interesse em receber um país quebrado. Pelo sim, pelo não, a presidente está oferecendo 7 ministérios aos peemedebista para que não só deixem essa tal de pauta bomba para lá, como topem apoiá-la até o final do mandato. E o que Cunha e Calheiros fazem apoiados por PMDB, DEM, PSDB, PP, PR e PTB?

Exigem mais da fragilizada presidente: não manterão os vetos de pé se Dilma não desistir da proibição do financiamento privado de campanha. Lembremos que, durante voto no STF, o ministro Gilmar Mendes acusou o PT de ter forjado essa trama com a OAB: enquanto escondia propinas no exterior, proibia que empresas privadas financiassem partidos adversários no Brasil.

Ao final dessa história, mesmo que por linhas muito tortas, ocorrerá o melhor para o brasileiro: a tal pauta bomba cairá, assim como a proibição do financiamento privado. Em contrapartida, a presidente ganhará sobrevida até a próxima grande derrota (que pode vir com uma segunda perda de grau de investimento). Quanto aos 7 ministérios para o PMDB, eles já o terão de qualquer jeito, venham por Dilma, venham por Temer.

Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

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