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Entenda por que a denúncia contra Lula não envolve “só um triplex” como querem os petistas

A Lava Jato caminha para provar toda uma triangulação trabalhada para sumir com o acervo presidencial

Lula foi denunciado pela Lava Jato e tudo leva a crer que não demorará para que Sérgio Moro aceite a denúncia transformando o ex-presidente em réu pela segunda vez em semanas. Iniciada a coletiva do Ministério Público, os petistas correram para as redes sociais minimizando o caso e dizendo tratar-se apenas de um triplex, como se uma cobertura de frente para o mar do Guarujá fosse algo atingível por qualquer brasileiro.

O Implicante apresentará aqui uma sequência de notícias já publicadas nos principais veículos do Brasil. Porque cada informação surgiu fora de ordem e a ligação entre uma e outra não se fez tão clara no noticiário. Mas não tenham dúvidas: os procuradores da Lava Jato as compreendem muito bem.

Tudo começa com um fato descoberto recentemente: o TCU confirmou que 98% do acervo presidencial referente ao período sumiu sob os cuidados de Lula e Dilma. Em um daqueles grampos capturados pela Lava Jato, Lula refere-se aos objetos como “tralhas”. Mas não são tralhas. São peças valiosíssimas que estavam em parte armazenadas pela OAS num galpão. Para se ter uma noção dos valores envolvidos, apenas o armazenamento deste montante consumiu R$ 1,3 milhão da empreiteira.

E por que a OAS faria este favor ao ex-presidente? Há a suspeita de que Lula praticava tráfico de influência no exterior em benefício da empreiteira. Em outras palavras, o petista usava da sua proximidade com o governo Dilma Rousseff para negociar em favor das construtoras obras bancadas pelo BNDES em republiquetas de democracias duvidosas.

O acervo, contudo, não ficaria para sempre no depósito. A OAS, junto com a Odebrecht, ajudou a reformar um sítio em Atibaia que receberia as peças valiosas. Oficialmente, pertence a Fernando Bittar, sócio de um dos filhos de Lula. E como ele conseguiu grana para comprar o imóvel? Bom… A empresa deles foi contratada por R$ 1,3 milhão para serviços que não conseguiram comprovar. O contratante? O Instituto Lula, a mesma entidade filantrópica – ou seja, que não recolhia impostos – que vivia recebendo doações de empreiteiras envolvidas no Petrolão.

Coincidentemente, o valor da contratação da empresa do filho de Lula é o mesmo pago pela OAS no depósito. Quanto ao triplex citado no título, foi reformado pela mesma OAS que participou de toda a triangulação já listada nos parágrafos anteriores.

Ou seja… Muito leva a crer que a Lava Jato apenas tocou a ponta do iceberg. E que Lula terá muito o que explicar à Justiça.

Portanto, não é “só um triplex”. Há muito mais em jogo.

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