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Entrevistamos a estudante que foi hostilizada em Brasília por militantes universitários de esquerda

Gabbi Castelo Branco, sozinha e com muita coragem, enfrentou dezenas de esquerdistas que a hostilizavam. Confiram a entrevista e vejam o vídeo.

Estudante - Distrito Liberal - Hostilidade

Mulher, mãe, afrodescendente, de família nordestina pobre, Gabbi seria aquilo que a esquerda usa como “trunfo” na hora de se arvorar à defesa das minorias oprimidas. Mas ela é contra a esquerda e fundadora do movimento Distrito Liberal. Daí, claro, acabou recebendo insultos pesados da “militância engajada”, ao discordar de uma “greve de estudantes” num ato aberto aos alunos (sim, ela é aluna e foi hostilizada – de forma bem forte – por manifestar-se em evento aberto aos discentes).

O vídeo se espalhou pela internet e resolvemos procurá-la para falar a respeito. Confiram o papo:

Implicante: O que estava havendo lá? Era evento de quê?
Gabbi: Era uma assembleia estudantil. A pauta era sobre um debate, entre os alunos da Universidade, para esclarecer alguns pontos sobre uma possível greve estudantil e também dos docentes da Universidade, qual o motivo dessa greve? O “golpe”.

Mas o que exatamente é uma “greve estudantil”? O cara do movimento político, que é historicamente estudioso e assíduo, resolve não comparecer mais às aulas? Alguém percebe a diferença da atuação dele em sala quando tem e quando não tem greve?
A greve estudantil é simplesmente não ir às aulas, ficar protestando aos arredores da Universidade, enquanto os outros alunos estão correndo e tentando loucamente obter o maior número de créditos para se formarem o mais rápido possível. E o mais grave: os mais autoritários tramam para impedir os professores de darem aulas pra poder “legitimar” essa “luta”.

Você, como universitária, foi a um ato promovido dentro de sua própria faculdade (UnB) e se manifestou contra a medida proposta pelos tais militantes. E daí te hostilizaram? Foi isso?
Na verdade, eu não ia falar. Eu não sei falar em público, aquele “discurso” foi totalmente improvisado, pela revolta que senti naquele momento. Uma moça de um coletivo de esquerda tinha acabado de acusar e caluniar o movimento que eu mesma fundei, o Distrito Liberal. Ela faz várias provocações, dizendo que éramos um bando de riquinhos da “elite branca burguesa” e por isso eramos liberais. Apontou o dedo na minha cara (eu estava sentada no chão) e disse para todos “essa é a elite que não me representa, que faz discursos de ódio contra negros e pobres. Tudo isso pq nunca pra favela…”

Após escutar tamanhas calúnias, fiquei muito inquieta, e prontamente requeri ao representante do DCE o direito de resposta, já que fomos citados nominalmente. Daí, começaram os insultos e toda aquela confusão, bem no início do vídeo eles começam a gritar e chamar o representante do DCE de “manobrista” por ter concedido a mim o direito de resposta. Uma outra representante do Distrito Liberal que iria fazer nossas colocações sobre a greve. Ela tentou falar logo após a minha fala e também não foi respeitada.

Vocês tem um movimento,então? Fale sobre ele.
O Distrito Liberal nasceu logo após a morte da estudante Louise Ribeiro, que foi covardemente assassinada pelo ex-namorado dentro de um dos laboratórios da UnB. O caso gerou muita revolta e comoção de todos os estudantes e foi aí que eu e alguns amigos tivemos a ideia de fazer um abaixo-assinado pedindo medidas de segurança urgentes para a nossa Universidade. Conseguimos varias assinaturas, marcamos uma manifestação em favor da paz, contra a violência e fomos procurar nosso DCE para que eles pudessem ver algumas das pautas de segurança que organizamos. Chegando lá, eles ficaram nos perguntando: “vocês são o quê?”

Daí falamos: estudantes independentes, querendo soluções concretas para a violência que está tomando conta da nossa Universidade. E o coordenador do DCE disse: “mas vcs não tem nenhum nome, não fazem parte de nenhum movimento?”

Nessa hora, eu percebi que a nossa luta não teria o mesmo respeito e atenção, caso não nos tornássemos um movimento, com nome e pautas definidas. Depois disso, criamos o movimento Distrito liberal, e realmente passamos a ter mais voz e maior apoio por parte dos estudantes. E então começamos a colagem de cartazes, participações nas assembleias estudantis e promovemos a nossa primeira palestra com um professor maravilhoso que se chama Roberto Ellery.

Desculpa entrar nesse tipo de mérito, sinceramente não é algo que deva pautar qualquer debate, mas nesse caso é interessante mencionar: você é mulher afrodescendente, tem uma namorada, é de família nordestina de origem pobre e professa religião de matriz africana, ou seja, tudo que a esquerrda costuma usar como trunfo. Mesmo assim te acusaram de ser da “elite branca golpista”?
Eu me considero parda, mas meu pai e 5 dos meus 7 irmãos são negros. Sou a mais velha de 8 irmãos. Fui casada por 3 anos e tenho um filho dessa mesma idade. Eles ignoram todas as “minorias” das quais faço parte e dizem que sou “opressora” (risos). Também ficam tentando diminuir o meu relacionamento, fazendo pouco caso e até mesmo insinuando que eu namoro uma mulher simplesmente para chamar “atenção”. Eu não sei muito bem, mas será que isso poderia ser considerado homofobia da própria esquerda?

E como você vê esses novos movimentos universitários? Você vê um crescimento da participação do pessoal menos à esquerda?
Hoje muita coisa mudou. Graças ao acesso à Internet, os jovens podem trocar informações e se identificar com grupos aos quais tenham afinidade. Foi por meio do grupo no Facebook da Unb que conheci os meus amigos que agora formam nosso movimento.

 ***

A seguir, o vídeo com as agressões, mas sobretudo com a coragem da Gabbi!

Os esquerdistas ainda não se conformam com o fato de que os tempos agora são outros. Antes, eles tinha o monopólio de alguns setores, tais como o mundo universitário de humanas ou o colunismo da grande imprensa. E, embora não aceitem a perda constante de tais espaços, a realidade já se impõe de maneira irrecorrível.

Nesse sentido, é fundamental tratar do que hoje acontece nas universidades. Aqueles que se dizem “anti-fascistas” são na verdade os mais perfeitos representantes do fascismo. Não toleram as diferenças nem querem que os adversários tenham voz.

Mas não adianta, o jogo começou a virar. E de vez.

Link para o vídeo na página Distrito Liberal.

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