Blog

Estado babá: Ministério da Saúde quer acabar com venda de refrigerantes “free-refil”

Será criado um precedente perigoso.

Sim, a obesidade provoca doenças graves e é responsável por milhares de mortes. Isso é um fato. O problema aqui, por óbvio, é a medida adotada para combater uma parte da coisa e o porquê de ser algo idiota – sendo gentil no adjetivo.

A síntese: o Ministério da Saúde quer acabar com a venda de refrigerantes free-refil, aquela modalidade em que se paga um valor fixo, permitindo o consumo “ilimitado”. Segundo estatísticas citadas pelo ministro, a prática aumenta em 35% o consumo de refrigerantes.

Então, porque seria errado proibir a venda? Em primeiro lugar, poque não vai evitar a obesidade, mas apenas o consumo de refrigerantes nesses estabelecimentos (sim, pessoas obesas continuarão obesas, independentemente disso); o segundo motivo é a interferência estatal em uma negociação juridicamente perfeita, de compra e venda de produtos permitidos por lei; e o terceiro é o precedente – talvez o mais grave.

Afinal, também nos rodízios de carne o consumo deve ser bem maior do que nos restaurantes em que apenas uma ou duas peças são servidas, mediante pedido específico. E é sabido que a carne, especialmente os cortes mais gordos e em grandes quantidades, colabora para o aumento dos quadros de obesidade e até mesmo de doenças cardíacas.

O que nos levaria ao óleo de soja, limitando também frituras, e também doces, sorvetes e assim por diante. Pois é, não teria fim.

Mesmo quem considere positivo esse “primeiro passo” não pode negar que ele leva a uma direção equivocada e praticamente ditatorial. Essa coisa de governos determinarem hábitos alimentares com foco em ideais e saúde não é algo inédito na história da humanidade, e os exemplos passados ficam bem longe de qualquer viés positivo.

Deixa assim, então? Claro que não. Mas é o tipo da coisa que depende da opção do indivíduo, sem que suas liberdades sejam tolhidas e sem que empresas sejam proibidas de fazer uma negociação perfeitamente lícita, entre adultos.

Talvez um primeiro passo seria, afinal, admitir que a obesidade não é fator de orgulho, mas sim risco para doenças. Porque não adianta proibir “free-refil” de um lado e fazer campanha pró-obesidade do outro. Mas isso, sabemos, é algo impossível. A ideologização da coisa já chegou a ponto irretrocedível.

Por fim, e em tempo: talvez haja coisa mais urgente exigindo a atuação do Ministério da Saúde, não?

Fonte: Veja

Notícias Recentes

To Top