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FORA DILMA! Ou: Ensinando a oposição a fazer… oposição

Por Felipe Flexa*

Com três meses de reeleito, em 1999, FHC já era alvo de ameaça de impeachment por parte da turma de Tarso Genro. FHC não tinha acobertado mensalões, sua filha perdeu o Banco Nacional, o Bamerindus foi pro saco e sua Casa Civil estava inteira. A única suspeita era a compra de UM voto a favor da emenda da reeleição. UM, num universo de 510. Para se alterar a Constituição, precisa-se de 3/4 do Parlamento. Foi o suficiente para que o PT saísse às ruas, procurasse sua quinta coluna na imprensa e bradasse a plenos pulmões: “Fora, FHC!” Sinto muito, caros tucanos, mas preciso reconhecer: o PT nunca fez oposição pro bem do Brasil (só pensam neles), mas sabem fazer oposição.

Sei que não tenho influência, mas às vezes me pego querendo ensinar a oposição a fazer… oposição. Falo, lógico, do PSDB e seus 44 milhões de votos. É uma tarefa árdua, trabalho de Sísifo, principalmente porque os tucanos têm nojinho de… fazer oposição. Se o PT exigia Fernando Henrique fora do Planalto sem o menor motivo, por que o PSDB com muitos motivos, não pede o impeachment de Dilma Rousseff?

A corrupção corre solta na Casa Civil. Não é de hoje. O braço direito de Dilma, Erenice Guerra, foi acusada de tráfico de influência. Um de seus porquinhos, Antônio Palocci, ficou milionário em quatro anos. Como? Ah, deixa pra lá.

Dilma não sabe escalar uma equipe, não tem autonomia de voo, Dilma é um engodo. Seu governo não durou seis meses. Por que manter por quatro anos na presidência alguém que não tem a menor capacidade para administrar um país? Só porque é mulher? E cadê as feministas? Lembro de amigas minhas, as quais prezo bastante, se orgulharem com a eleição de uma mulher para a presidência. Mas quando a coisa ficou ruim, foram chamar um macho que entende das coisas, o Lula, lá em São Bernardo. Ele veio para ensinar a Dilma como é que se faz: “Olha, moça, vai pra cozinha, que agora o que vai rolar aqui é papo de homem.”

Para que manter por quatro anos no poder máximo da República uma mulher que não pode demitir um ministro trapalhão, como Fernando Haddad? Ou um que se recusa a dar qualquer explicação?

A oposição, quando era governo, assistiu calada às encenações de Pedro Simon pedindo a demissão do ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros. Simon conseguiu o que queria. Mendonça caiu. Ninguém no PSDB levantou palha pelo sujeito.  Recentemente provou sua inocência assim como o chefe de gabinete de Fernando Henrique, Eduardo Jorge Caldas Pereira, perseguido brutalmente pelas tropas petistas do Ministério Público. Tá vendo, PSDB? O PT sempre impôs a agenda. (Anos depois, Simon se calaria diante do impoluto Collor de Mello que o chantageou no Senado: “São palavras que eu quero que o senhor as engula e as digira como achar conveniente.” Simon, o pirotécnico franciscano, obedeceu…)

Hoje a oposição, passiva e numa guerra fratricida, é incapaz de botar abaixo um governo frágil, amorfo, cujos integrantes vivem a dar tiros nos próprios pés. Num país sério, Dilma teria renunciado. E mais: o PT se atrapalha sozinho e a oposição fica pensando em quem vai mandar em institutos e conselhos políticos.

Existisse de verdade, estariam os opositores pedindo não a cabeça de Palocci (nem isso conseguem), mas a cabeça da chefa. Daquela que “escolheu” e “montou” a equipe.

Reconheço, porém, que é esperar demais. Mesmo assim, digo do meu pequeno bunker: fora, Dilma!

 

* Felipe Flexa é roteirista de TV. No Twitter, @felipeflexa

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